Onde tudo começou
Bom, amigos, não sei por onde começar, más eu vou tentar lhes contar minha história. Antes daquela noite, eu era uma pessoa normal como qualquer outra, dava o meu melhor todos os dias me matando num trabalho sem futuro, sem muitas oportunidades, eu havia encontrado um trabalho como entregador em um super mercado, era bom de certa forma, dava para pagar as contas no final do mês, mas como qualquer outra pessoa, eu tinha sonhos, desejos, e o maior dos meus sonhos estava sempre ao meu lado. A pessoa por quem fui apaixonado desde a época da escola, sempre estivemos juntos, desde as árduas horas de estudos até as apresentações mais difíceis, pra mim ela era com um anjo, mesmo que as vezes ela não gostasse que eu a chamasse assim, ela sempre me fazia sorrir quando eu estava triste, minha felicidade era ver aquele sorriso, aquele olhar lindo como uma noite estrelada, quanto mais o tempo passava, mais eu sabia que era ao lado daquela mulher que eu queria passar o resto dos meus dias. Mas o que eu poderia dar a ela, eu não tinha nada e ao mesmo tempo queria poder dar tudo a ela, bobagem minha talvez porque eu não quisesse estragar tudo então eu inventava desculpas idiotas para não fazer besteira, talvez por eu ser um idiota e não ter coragem de dar um segundo passo em direção ao que poderia ser a minha maior felicidade, eu não sei, vocês decidem pois até hoje, não sei me responder o motivo de eu ter sido tão idiota.
O que sei é que minha vida mudaria de uma forma que eu não esperava, pois uma noite ela me revelou que estava namorando com um cara fazia alguns meses, uma parte de mim se quebrou naquela noite, eu já sabia que isso poderia acontecer, más não estava preparado, não para o que estava por vir, quanto mais eu via ela sendo feliz ao lado de outro, mais eu quebrava por dentro, os dias se arrastavam e cada dia nos víamos menos. Comecei a ficar desligado, vivendo no passado e sempre me perguntando como ela estava, já que ate por mensagem estava difícil de conversarmos. Fui despedido do emprego por acumular atrasos, já que eu mal estava conseguindo dormir, minha vida estava desmoronando aos poucos e eu era o ultimo a ver. Uma noite eu estava largado no sofá dormindo sobre um pacote de batata frita quando meu telefone tocou, mal acreditei quando vi o nome dela na tela, logo um sorriso perdido tomou conta do meu rosto, atendi feliz esperando ouvir a voz daquele anjo que eu amava, sonhando em ouvir alguma boa notícia. Naquele momento foi como se os céus ouvissem minhas preces, ela me convidou pra jantar com a família dela, como de costume, antes fazíamos isso com bastante frequência em alguns finais de semana. Eu deveria ter sido mais inteligente e previsto o perigo que me aguardava, más eu estava cego, só queria me sentir bem novamente, más a vida gosta de brincar com os nossos sentimentos.
Aquela noite, me arrumei antes da hora, estava morrendo de ansiedade, afinal, fazia tempo que não há via, fui até a casa dela imaginando cada traço do seu rosto, sonhando com nosso reencontro, eu nem tinha dormido de novo, más dessa vez, era diferente, a culpa foi da ansiedade, ao chegar na casa dela fui recebido com festa da parte dela, que veio correndo em minha direção me dando o melhor abraço que eu já havia ganho, ela estava radiante, tão linda como uma princesa, minha felicidade foi tanta que não consegui segurar minhas lágrimas de felicidade ao vê-la. Agarrando meu braço ela me levou pra dentro de casa, eu entrei feliz esquecendo tudo o que avia se passado anteriormente, lá dentro o clima estava diferente, alguns da família já sabiam o que estava por vir, outros como eu ainda não faziam ideia. Foi quando ela soltou meu braço e correu em direção a ele, todos se sentaram a mesa e antes que alguém pudesse dizer alguma coisa, ela se desculpou e disse que não poderia mais esperar, já estava segurando a muito tempo para dizer aquilo e não aguentava mais esperar. Eles estavam noivos, aquele era o dia mais feliz da vida dela.
Ali sim o que havia sobrado de mim havia acabado de quebrar, meu mundo havia desmoronado, mas ainda assim eu me preocupando em estragar aquele dia tão feliz pra ela, forcei um sorriso e aplaudi junto a família dela, seu pai feliz resolve então propor um brinde aos noivos e quando eu pensei que não poderia piorar, aquele desgraçado pede a atenção de todos, se ajoelha frente a ela e a pede em casamento. Ela não se contendo de felicidade o abraça, os dois se beijam apaixonadamente.
Eu morri no momento que a ouvi dizer sim, não percebi na hora más a taça de vinho em minha mão havia se quebrado, todos congelaram rapidamente enquanto vinho e sangue pingavam na mesa, eu ainda estava tentando processar o que havia acontecido, logo percebi o que havia acontecido e sorri disfarçadamente, logo na tentativa de levar o caso na brincadeira todos começaram a sorrir culpando a fragilidade da taça, logo pedi desculpa a todos e fui para a cozinha retirar os estilhaços de vidro da minha mão, algumas pessoas incluindo ela me acompanharam, más logo os convenci a voltarem a mesa, más não seria o bastante, ela e a mãe dela correram para pegar algo para parar o sangramento e fazer um curativo, enquanto eu, depois de remover os estilhaços de vidro de minha mão, o que eu mais queria era sair dali e desaparecer, afinal não haveria mais nada ali para mim.
Antes que notassem eu sai pela porta da cozinha e fui embora, eu não fui para um hospital, eu não fui pra casa, eu andei sem rumo até amanhecer o dia, eu não sei mais o que eu sentia, só sabia que eu queria acabar com tudo aquilo, eu queria morrer de alguma forma. Quando me dei por mim, já havia saído da cidade e estava caminhando descalço na beira da pista, meus sapatos haviam ficado pra atras, meus olhos já não tinham lágrimas para chorar, andei até o ponto em que desmaiei. O cansaço as vezes faz você apagar sem aviso, e o mais estranho é acordar sozinho horas depois num barranco ao lado da rodovia, a quilômetros da cidade. Eu estava sujo por conta do orvalho nas plantas e da terra úmida, más enquanto retornava a minha sanidade, ficava mais claro pra mim, ela era a razão do meu viver e sem ela não iria dar certo continuar, eu precisava dar um novo rumo a minha vida então me dei duas opções, morrer de uma vez ou fazer a maior loucura da minha vida. Como morrer não era algo que eu queria fazer, me recompus e então sai de mais um emprego e com urgência vendi minha casa. Eu tinha duas opções mudar de cidade e tentar uma nova vida do zero ou fazer algo que eu sempre quis fazer com ela, sempre quisemos sair e conhecer o mundo, más a vida não havia nos dado essa oportunidade, agora eu me perguntava, aonde oitenta mil reais poderiam me levar.
Depois de vender tudo o que eu tinha, ignorando várias mensagens e chamadas perdidas, eu estava em frente a uma concessionária comprando uma moto pra ser minha parceira de viagem, depois de arrumar tudo pra ir embora de vez uma surpresa do destino conseguiu me quebrar mais uma vez, antes que eu tivesse a chance de sair sem dizer adeus ela me encontrou, me perguntou o que eu tinha na cabeça pra sair daquele jeito, pra não atender suas ligações e principalmente pra estar agindo feito um babaca. Eu não queria responder aquelas perguntas, eu sentia o choro em minha garganta, eu não conseguiria falar uma palavra naquele momento sem acabar chorando, então fiz o que nem eu havia pensando, andei ate ela, olhei em seus olhos mais uma vez e antes que ela tivesse reação eu lhe roubei um beijo. Ela estava em choque por alguns instantes, acredito que unindo as peças do que estava acontecendo, seu noivo no entanto, partiu para agressão me dando um belo soco no rosto. Enquanto ele esbravejada e praguejava, eu fui em direção a minha moto, enquanto ele se acalmava e dizia que haviam vindo ate mim porque ela queria que eu fosse o padrinho de casamento dela, más que depois disso eu nem deveria aparecer na igreja. Eu continuei calado, subi em minha moto fui embora.
Por dias eu segui a estrada até onde ela desejasse me levar, más por mais belas que fossem as paisagens eu não me sentia feliz, sentia como se parte de mim tivesse morrido naquela cidade, os dias viraram meses e logo eu estava tão longe quanto jamais havia ido, gastando meus últimos trocados em um bar, um estranho me perguntou se havia algo errado comigo, eu respondi que àquela altura, ela já havia se casado e deveria estar vivendo a vida dela feliz, enquanto eu estava em um bar, do outro lado do pais, eu há havia perdido pra sempre, entre ressaca e lágrimas eu me levantei cambaleando e ignorando os conselhos do dono daquele estabelecimento, eu peguei minha moto e segui em direção aquela estrada escura, não demorou muito para que eu notasse as luzes no retrovisor, acho que o dono daquele bar me denunciou por estar bêbado e correndo ou os policiais só me viram correndo mesmo. Os policiais gritavam para que eu parasse enquanto eu acelerava ainda mais, ainda não sei como eu conseguia pilotar, más eu as conseguia, por horas eu corri naquela pista escura, sobe a luz das estrelas, más aquela noite algo estava errado, o céu estrelado logo se escureceu em poucos minutos não havia mais estrelas no céu, somente nuvens negras, e logo um forte temporal começa a cair, eu queria que minha jornada terminasse com o nascer do sol, queria ver o brilho amarelo do nascer do sol mais uma vez, mas acho que o destino queria algo um pouco diferente pra mim, parecia que o tempo queria mostrar ao mundo como eu me sentia, em meio aquela chuva pesada com raios e trovões, o maior temporal que já havia visto, eu estava ensopado, com frio, más não queria parar, se eu parasse seria preso, e já que eu não tinha mais pra onde ir parei no meio de uma ponte, era o fim da linha pra mim, a polícia havia parado logo atras de mim, gritando para que eu me deitasse no chão, eu tinha outros planos e desobedecendo suas ordens, corri para a lateral da ponte e pulei, foi naquele momento que a coisa mais estranha do mundo aconteceu, percebi tudo ficando devagar, eu conseguia sentir cada gota d’água batendo em minha pele, a voz de cada policial gritando para que eu voltasse enquanto eles corriam em minha direção, o som das aguas correndo com fúria e violência no rio abaixo de mim, o vento frio quem mudou de direção me jogando em direção ao abismo, o calor e a luz de m raio vindo em minha direção e me apanhando como se eu fosse um brinquedo. Achei que minha vida acabaria ali, naquele instante em que senti o calor daquele raio tocando minha mão, eu estava certo de que era minha hora, então fechei meus olhos e aceitei presente que me foi dado. O que eu não esperava era acordar dias depois numa cabana de madeira com uma garota debruçada sobre mim, chorando como se eu houvesse morrido, em seus olhos eu podia ver a dor de perder alguém que amava, eu senti sua dor, pois eu sentia algo parecido. Olhei em volta ainda sem entender o que estava acontecendo, tentando ver se encontrava mais alguém, más estávamos a sós naquele quarto e antes que eu pudesse perguntar o que havia acontecido, ela me abraçou chorando e dizendo que ele havia partido, que agora eu era sua única família. Eu podia sentir suas lágrimas através da minha camisa, enquanto seus braços apertavam meu corpo em busca de alguma forma de consolo. Ela dormiu em meus braços aquela noite enquanto eu me perguntava o que estava acontecendo, quem ela havia perdido e por que me disse que eu seria sua única família a partir daquele momento. Lentamente fui pegando no sono, eu me sentia cansado sem motivo para estar, era como se alguma coisa me puxasse para um sono profundo contra minha vontade, eu adormeci profundamente e logo estava preso em um sonho do qual não conseguia acordar, era um lugar escuro cercado por uma névoa negra e densa, quanto mais eu corria tentando achar alguém ou alguma coisa, mais assustado eu ficava por não encontrar nada, foi quando percebi que não estava sozinho, havia mais alguém comigo, dentro da névoa eu podia ver um par de olhos verdes me rondando, me observando, logo em meio a névoa começo a ver ao meu redor imagens de uma guerra, naves descendo do céu, sangue em meio a um massacre. Em meio a isso seis guerreiros se destacam lutando contra os invasores, uma criatura bestial muito semelhante a uma mistura entre um tigre humanoide, lutando ferozmente usando um machado, seus rugidos ferozes faziam os céus se rasgar em raios e trovões, como se a natureza daquele lugar respondesse ao seu chamado. Seguido por um com seis braços com armas avançadas, uma mira impecável, mesmo disparos múltiplos. Uma bailarina, ou foi o que me pareceu quando eu vi aquele ser correndo em alta velocidade e dançando como o vento e usando suas lâminas afiadas para matar seus inimigos, antes mesmo que eles tivessem reação. O mago que dominava os elementos e conseguia atacar de formas que eu nunca havia visto, o qual manipulava os elementos de uma forma como se tudo fosse uma extensão de seu corpo. E um casal que se juntava formando uma criatura colossal, parecida com um anjo com armadura brilhante meio medieval, erguendo seu escudo para proteger uma cidade do ataque das imensas naves que chegavam.
Em meio ao caos, um sexto guerreiro com uma armadura negra como a noite subiu aos céus com suas asas de fogo, deixando um rastro de fumaça preta, saiu da atmosfera do planeta e logo eu vi a maior explosão que já vi em minha vida, o céu inteiro mudou de cor, enquanto no calor da batalha em terra, dois dos cinco que ficaram foram mortos em batalha e de seus corpos saíram duas pequenas luzes, que logo seguiram em direção a uma jovem, a mesma que estava na cabana comigo quando acordei, ela então num gesto majestoso se envolve em luz, aumentando seu tamanho de forma que se assemelha ao anjo que mencionei anteriormente, fazendo isso ela sobe aos céus saindo também do planeta e numa enorme explosão de luz, ela explode aquele ser colossal, iluminando assim metade daquele sistema solar, sua explosão de luz logo se contrai, puxando tudo ao seu alcance, as duas estrelas mães e dois planetas, quanto mais próximos a ela, menores eles ficam, até se juntarem a ela de uma forma que todo aquele sistema solar fosse envolto numa pequena esfera de energia na palma de sua mão, logo o guerreiro que havia saído do planeta antes dela, retorna a ela envolvendo-a em suas asas e lançando os dois no espaço profundo.
Acordei assustado depois desse pesadelo, me perguntando se aquilo seria real ou coisas da minha imaginação. A Luz entrando pelo quarto me dizia que já era tarde, eu havia dormido tanto que perdi metade do dia, eu me levanto e meio cambaleante, começo a andar pela cabana, nada naquele lugar se parece com algo que eu já tenha visto antes, a forma como aquela cabana foi construída, as coisas dentro dela, foram feitos com materiais daqui más de uma forma completamente diferente, saio da cabana me deparando com a garota sentada no alto de uma pedra observando o horizonte. Me sento ao seu lado em silencio esperando que ela me dissesse algo. Ela continuou em silencio por um tempo e lentamente lágrimas começam a brotar em seu olhar, tentando esconder, ela rapidamente corre de volta para a cabana. Eu continuei ali, sentado olhando o horizonte até escurecer, pensando em tudo o que estava acontecendo sem entender nada. Horas depois eu estava deitado no mesmo lugar observando as estrelas. Lentamente a garota se aproxima, deita-se ao meu lado colocando sua cabeça no meu peito e me abraçando mais uma vez, novamente sinto meu peito molhado e percebo que ela está chorando, eu, farto de tudo aquilo tento falar com ela e sou interrompido, ela com uma voz doce e suave começa a me explicar que o sonho que tive, não era um sonho. Eram as últimas lembranças da casa dela, seu mundo foi devastado por uma guerra sem motivos, por um inimigo em busca de poder, o poder que seu guardião havia entregado a mim, pois havia jurado nunca tirar uma vida inocente.
Com o fim de seu mundo, o Guerreiro que era a ultima esperança para que eles ganhassem a guerra ainda não havia despertado seu poder máximo, e com seus cavaleiros caindo a guerra estava perdida e ela foi obrigada a selar as estrelas usando todo o seu poder, seu guardião, ao ver seu sacrifício, a segurou e os lançou a deriva no espaço numa ultima tentativa de escaparem, más com o tempo e a vastidão do espaço contra eles, a armadura necessitando de energia consumiu seu usuário que ao passar perto do meu planeta se viu no dilema de encontrar algo para usar como fonte de energia para a armadura, foi quando me viram de moto fugindo dos policiais, e no momento que eu pulei da ponte, ele sabia que eu iria morrer, então poderia servir a um propósito maior, poderia ser usado como fonte de energia para eles continuarem fugindo. Sem pensar duas vezes ele vem ate mim, sua armadura me abraça como se fosse feita sobre medidas para meu corpo, nesse ultimo esforço somente sua consciência restava na armadura e depois de olhar em minhas memórias e ver quem eu era desde o meu nascimento, ele decidiu que não poderia me matar, se desculpou com ela e sua consciência deixou este mundo, me deixando vinculado a armadura, agora é meu dever reunir os cinco cavaleiros para liberar o poder da armadura e me preparar pois um dia o que devastou seu mundo, poderá encontrar o meu.
Quanto mais tempo eu passava com ela, mais eu me apegava. Tudo o que ela havia passado e o que foi obrigada a fazer, ninguém deveria ser obrigado a passar por isso, por ordem de seus pais ela foi obrigada a sacrificar tudo, a guerra estava perdida e eles não poderiam permitir que seu povo fosse escravizado.
Por um tempo ela me ajudou a compreender e controlar minha força e as habilidades da armadura, foi difícil pra mim, pois sem a armadura, eu já me sentia mais forte do que antes, com ela eu sentia que tinha força suficiente para abrir o mundo ao meio sem fazer esforço.
Enquanto ela me explicava toda a história, uma coisa me chamou atenção, uma pequena luz laranja brilhava em sua roupa, logo ela retirou de seu bolso alguns cristais e um deles estava brilhando como fogo, logo ele começa a levitar como se alguém estivesse brincando com ele e num piscar de olhos se lança aos céus em alta velocidade, a garota logo me pede para segui-lo, pois o primeiro dos meus cavaleiros iria despertar. Eu sem entender muito me levanto, a armadura logo toma forma em volta de mim, suas asas negras se abrem e em um pequeno impulso seu, eu rapidamente alcanço os céus e enquanto eu pensava em como encontraria algo tão pequeno voando mais rápido que uma bala, eu senti algo estranho, como as batidas do meu coração, fora de mim, mim indicando uma direção a seguir. Eu logo corto os céus voando cada vez mais rápido, sobrevoando a floresta amazônica me deparo com uma zona de guerra entre homens e índios e em meios há vários corpos um cristal flutuava junto a um jovem índio ferido, um homem que estava prestes a matar o garoto queima sua mão ao tentar pegar o cristal, percebendo que o jovem índio não tinha muito tempo de vida, eu logo desço ate lá, minha chegada deixa todos desnorteados, por um instante a guerra entre homens e índios parou, enquanto todos me olhavam andar em direção aquele jovem. Por instinto eu me ajoelho em sua frente, seguro sua mão e empurro o cristal em direção ao seu peito. O cristal se desfaz em contato com a pele do jovem e sua energia é absorvida pelo corpo do garoto, que logo começa a gritar loucamente, seu pequeno corpo se debatendo de dor enquanto tentava rejeitar sua nova forma, seus gritos de dor e agonia logo começam a ficar mais graves, seus músculos e ossos se contorcem aumentando de tamanho, cada célula do seu corpo agora está sendo mudada enquanto seu corpo cresce parar, seus olhos antes com medo agora dão lugar a uma fúria sedenta por sangue, seus gritos se calam, por alguns instantes aquele jovem continua agachado em minha frente, ainda se acostumando com o que aconteceu, logo ele começa a se erguer, uma fera bestial com pouco mais de dois metros de altura, aparência dividida entre tigre e homem, ele olha em volta e observando a situação se volta para mim, ajoelha-se perante mim e me diz.
– Meu lorde, me chamam de Tôoran, o primogênito de Rorovar, Príncipe dos Bárbaros das planícies geladas de Dalfin, humildemente espero que se agrade com minha escolha para meu sucessor, esse jovem não tem todas as qualidades de um guerreiro, más em seu peito bate o coação de um príncipe Bárbaro, como eu, ele não era o melhor de seu povo, más na hora certa ele soube mostrar seu valor, estou feliz em encontrar alguém de coração forte para carregar o legado de minha linhagem, só lhe peço que me deixe lutar mais uma vez, sei que os inimigos aqui são fracos más, lhe peço que me permita vingar o sangue que injustamente foi derramado nessas terras e rugir para o mundo mais uma vez em honra aos meus ancestrais.
Nesse momento, olho para aqueles homens armados e peço para que eles corram, pois eu não iria segurar o tigre, se eles fizeram o mal sem motivos, aquele seria o preço que eles pagariam.
Como que por instinto da armadura, as penas das pontas das asas se moldam em dois machados grandes, se soltam das asas caindo ao chão, logo o tigre os pega e olhando em meus olhos me agradece, eu meio que sem entender, me deixo levar pelo momento e somente observo, aquele bárbaro adentra a floresta silenciosamente, perseguindo os homens que haviam fugido, logo todos escutam tiros, gritos, rugidos, barulhos de arvores se quebrando. alguns que haviam ficado no local, ainda congelados de medo ainda sem acreditar no final trágico que teriam começam a implorar por perdão, rastejava até mim como se eu fosse ajuda-los.
Logo a fera retorna me agradecendo pela oportunidade, agora ele poderia descansar em paz, pois havia escolhido bem seu sucessor, a fera então fecha seus olhos e seu corpo volta a forma humana, o jovem índio agora assume de volta o comando já sabendo de tudo pois enquanto Tôoran comandava seu corpo, sua mente percorria a mente de Tôoran revivendo seu passado. O jovem então se aproxima de mim, se ajoelha cravando seus machados no chão e dizendo alto para que todos ali escutassem.
-Viverei para servi-lo meu lorde, pois ate a minha morte meus machados e eu estaremos sob seu comando e minha linhagem o seguirá mesmo depois da minha morte.
Antes que eu o pedisse para se levantar a princesa chegou onde estávamos, os índios e alguns poucos homens que ainda estavam ali, ficaram maravilhados com a beleza da jovem que chegara voando. Logo o jovem índio se vira pra ela se ajoelhando e antes que ele repetisse as mesmas palavras que me disse, ela se ajoelha junto a ele, pega suas mãos e pede gentilmente para que ele se levantasse, pois ele não devia nenhuma jura de lealdade a ela, os antigos costumes de seu povo não deveriam ser endereçados a ela pois ela não era uma guardiã completa, o fim de seu mundo havia chegado antes que ela encontrasse sua alma gêmea, por esse motivo seus pais tomaram seu lugar como guardiões do cristal branco, dentre todos ela foi a única princesa a não poder defender seu mundo, a ela foi entregue a pior tarefa, destruir tudo para que ninguém fosse capturado e sofresse com tortura e escravidão nas mãos do inimigo.
O jovem então lhe diz que no pouco tempo em que esteve nas memórias de Tôoran, percebeu que ele e todos do seu povo sentiram gratidão pelo sacrifício que ela fez, os Bárbaros preferem morrer gloriosamente em batalha a serem humilhados e obrigados a serem animais de estimação, e que ele estaria feliz em ser um de seus cavaleiros, pois tinha a certeza de que ela tinha a coragem de fazer o necessário se o pior acontecesse.
A princesa então cai de joelhos com lágrimas nos olhos. Havia passado anos se culpando por não ser digna de portar o cristal de sua família, se culpava por ser obrigada a destruir seu lar com todos que estavam lá e no final, descobri que todos estavam gratos pelo seu sacrifício.
Quanto a mim, tudo aquilo estava mexendo com o meu emocional e enquanto lágrimas se formavam em meus olhos, o céu também se enchia com nuvens brancas e logo uma garoa fina começa a cair sobre nós. Chuva suficiente para apagar o fogo que queimava casas e arvores. Com a chuva quebrando o clima emocional eu me volto para os três homens que ainda estavam ali e os pergunto o que havia acontecido, um deles gaguejando e tremendo de medo me revela que eram madeireiros que foram pagos para espantar os índios daquele lugar pois precisavam cortar as arvores e os índios não deixavam, ele implorou por sua vida, disse que não havia matado ninguém e que não queria estar ali, mas foi obrigado. Antes que eu permitisse que ele seguisse seu caminho, um índio se aproxima de um deles e diz que os outros dois poderiam ir embora, mas aquele frente a ele ficara, pois enquanto os outros não machucaram ninguém, aquele outro gostava do que estava fazendo
Eu não interferi na decisão dele já que uma das pessoas que aquele homem havia matado era a mulher daquele índio, eu meio acho que eu faria o mesmo no lugar dele.
Conforme os dias iam passando naquele paraíso, eu notava que a princesa começava a se soltar, agora aquela jovem tímida brincava e se divertia com as jovens índias daquela tribo. O jovem Rudá passava horas na floresta meditando, caçando, se conectando com sua nova forma animal. Eu não conseguia me encaixar naquele meio, fui criado na cidade e tudo pra mim ali era novo, a comida, o jeito que eles viviam, o jeito como se tratavam, tudo era diferente, tudo era bom demais, alguns ainda choravam suas perdas, outros incluindo as crianças se esforçavam para seguir em frente. Somente uma coisa não mudava, toda noite a princesa preferia dormir aconchegada em minhas asas, eu não entendia bem o porquê no início, mas com o tempo ficou claro pra mim. Eu agora era o ultimo elo com seu passado, seu ultimo guardião por milhares de anos luz a manteve segura em suas asas, asas essas que agora são minhas, tudo fez sentido a partir dai, aquela garota feliz e brincalhona que eu via durante o dia era uma fachada, no fundo ela ainda tinha medo, se sentia desprotegida, as vezes eu sentia suas lágrimas em meu peito e via que ela estava tendo algum tipo de sonho ruim, em outras noites ela simplesmente dormia feito um anjo. Más com o raiar de cada dia sua fachada retornava, ela voltava a ser a garota alegre passeando pela tribo, ajudando, brincando e sorrindo.
Por mais que eu estivesse ali junto a eles ajudando, a reconstruir ainda percebia que muitos tinham medo de mim, outros tinham medo do Rudá, um em especial não escondia sua desaprovação pelo Rudá ter sido o escolhido, nos olhos dele eu via a inveja, ele queria ter sido escolhido. Já o Rudá, não se preocupava com isso, antes de tudo ele era considerado pequeno e fraco, rejeitado pelos outros por ter sido criado por mulheres, seu pai morreu quando ele ainda era pequeno, por ter sido criado em meio as mulheres da tribo, todas as jovens gostavam dele e passavam muito tempo com ele, isso deixava os outros incomodados, mas aquele em especial ficava com inveja, os únicos homens que respeitavam ele, eram o cacique e os adultos de sua tribo, aqueles que conheceram seu pai. Acho que por esse motivo ele prefere agora passar mais tempo no meio da floresta. Aprendendo a controlar seu instinto animal, seu lado perigoso poderia facilmente responder a qualquer provocação de forma extrema, eu sei porque no momento em que o tigre foi despertado eu também senti que algo dentro de mim também despertou, como se parte de um tigre também estivesse adormecido dentro de mim, ainda não sei o que é ou como chamar isso más quero descobrir logo.
Com o passar dos dias eu percebo uma rivalidade aumentando entre Rudá e o jovem índio que o invejava, ao ponto das coisas ficarem feias entre eles, o jovem índio em um acesso de raiva agrediu Rudá em sua forma humana, de longe presenciei o Rudá se controlar de uma forma impressionante enquanto controlava os instintos assassinos do tigre dentro dele, ao revidar ao ataque de seu agressor o jovem Rudá rugiu alto, suas presas e garras a mostra, se ele não se conte-se seu oponente seria dividido em dois com o mínimo de esforço. Isso me deu a certeza que Tôoran fez a escolha certa, o Jovem Rudá aprendia e crescia rápido. Os dias logo viraram semanas, o tempo não esperava ninguém, ainda mais quando um jovem índio chegara a idade pra se tornar um homem, as jovens da tribo queriam ser escolhidas por ele, afinal, o primeiro índio a se tornar um tigre bárbaro estava chegando a idade de se casar. Elas só não esperavam que o destino de Rudá o levasse por um outro caminho, pois uma noite enquanto andava pela floresta, presenciou a queda de um avião em meio a vastidão da floresta, logo ele corre até o local na esperança de encontrar algum sobrevivente e em meio aos destroços daquele avião, ele encontrou aquela por quem ele viria a se apaixonar, uma jovem de aparência asiática abraçada a sua mãe, ela estava em choque ao ver uma figura humana em meio a floresta fechada, más não hesitou em pedir ajuda, o jovem Rudá por outro lado se controlando ao máximo para não assusta-la expondo seu lado animal, calmamente observou que a mãe da jovem estava muito ferida, então sem saber o que fazer, ele sentiu que não havia outra forma de ajuda-las e num ato meio desesperado ele se afasta da garota e de sua mãe, invoca sua forma bestial e ruge aos céus que logo responde com um grande trovão que ecoa por quilômetros alcançando o destino desejado. Ao escutar seu chamado eu me levanto e sigo voando na direção do trovão, não foi difícil perceber parte da floresta em chamas e enquanto uma garota assustada se agarrava a sua mãe desacordada, uma enorme fera brigava contra o fogo para que ele não alcançasse as duas, ao me ver chegar a garota logo desmaia, acho que ela havia inalado muita fumaça, depois de remover a mãe da garota dos destroços eu pedi para o Rudá levar a garota para a tribo enquanto eu voaria de volta com a mãe dela, ao chegar na tribo, sou recebido por todos acordados, o som daquele trovão havia acordado todos, incluindo as crianças. Logo o Pajé vem a mim e me pede para deixar a mulher em sua oca, ele e mais alguns índios iriam cuidar dela, eu fiz como pedido e logo me retirei, afinal, não havia mais nada que eu pudesse fazer. Em meio a floresta enquanto Rudá corria de volta a aldeia com a garota em seus braços, o inesperado aconteceu, a jovem acordou, se assustando com sua forma bestial, se assustando mais uma vez com a forma bestial de Rudá ela acaba o obrigando a parar. Um não entendia a linguagem do outro, então por mais que o jovem Rudá tentasse explicar qualquer coisa, a jovem se assustava ainda mais, em meio a noite fria e escura no meio da floresta o jovem Rudá optou por traze-la de volta a tribo em sua forma humana, a carregando em suas costas por grande parte do caminho. Ao raiar do dia eles chegam a tribo, a mãe da jovem estava bem, ainda se recuperando mas ainda estava fraca, enquanto a jovem corria ate sua mãe sentada numa cadeira em frente a oca do pajé, o jovem Rudá desabava de cansaço, feliz por ter salvo a vida das duas ele apagou por um dia inteiro.
Eu adoraria ter continuado lá e poder lhes contar a história deles por completo, más algo mais urgente requisitou minha atenção, a princesa veio ate mim me dizendo que o cristal vermelho havia despertado e partido, havia ficado claro pra mim que mais um cavaleiro havia sido encontrado e eu precisava partir. Eu so não esperava ser naquelas circunstâncias, más eu não tinha escolha, precisei voar. Foi difícil alcançar o cristal vermelho más ao chegar no local de sua descida, me deparei com uma cena digna de filme de terror, um carro batido em chamas próximo a um caminhão de combustível, um pouco afastado deles um grande congestionamento, como se as pessoas tivessem medo de se aproximar, do carro em chamas havia saído um homem, seu corpo estava parcialmente queimado e machucado do acidente, ele saiu se arrastando usando apenas um de seus braços. Antes que eu pudesse chegar perto, percebo que o motorista do caminhão desceu com um machado em sua mão, caminhou até o reservatório de combustível e começou a desferir golpes nele, abrindo assim um buraco por onde começou a jorrar todo o combustível do tanque. O motorista enquanto se banhava em gasolina, retirou um isqueiro de seu bolço e antes que ele conseguisse acende-lo eu desci do céu e envolvi o homem ferido em minhas asas, o protegendo do fogo e da explosão do tanque do caminhão. Da mesma forma que fiz com o Rudá, empurrei o cristal em direção ao peito daquele homem que desmaiou logo em seguida, segundos depois ele reabriu seus olhos se ascenderam na cor daquele cristal e logo ele gritou.
-Meu Lorde levaram a garota...
Eu por um segundo fiquei em choque, que garota, de que ele estava falando, então ele completou...
-Antes de virmos para cá eu senti que alguém estava na mesma situação que eu estive um dia. Já fui chamado de Príncipe Theorormyn num passado distante, más mataram minha mulher e filha num golpe para tomar a coroa que seria minha por direito, a partir dai fui chamado de Morte, pois matei todos que conspiraram contra mim e contra minha família, o mesmo aconteceu com esse homem, a mulher dele morreu naquele carro e sua filha foi levada. O ultimo desejo de sua esposa foi para que ele salvasse sua filha. Eu não consegui salvar a minha e ele precisa de sua ajuda para salvar a dele, os ferimentos são muito profundos para ele conseguir sozinho, ele vai precisar de uma melhoria em seu corpo, meu cristal so guarda minhas habilidades, você terá que restaurar o corpo dele e lhe dar uma armadura...
Como posso restaurar o corpo de alguém, ate onde sei não tenho poderes de cura...
-Não o senhor não tem habilidades de cura ainda Meu Lorde, más a armadura pode replicar as células danificadas do seu corpo usando-a mesma como base, assim suas novas células são feitas com o material da armadura, estou lhe pedindo que use suas correntes e faça o mesmo com este homem, o corpo dele ficará mais forte e resistente para suportar a guerra que está por vir.
Nesse momento, como se a armadura soubesse o que estava fazendo quatro correntes saem das minhas costas e vão em direção ao corpo daquele homem, elas levantam ele e começam rapidamente a reconstruir o corpo dele, reforçando ossos e músculos e finalizando com uma armadura cinza escuro.
-Perfeito Meu Lorde, deixarei o humano assumir agora, ele precisará de ajuda para encontrar a filha dele, e se minhas suspeitas estiverem certas, estamos em apuros maiores do que pensei, eles já estão aqui.
Depois de me deixar sem entender o que ele queria dizer, Theorormyn se vai deixando o Homem de volta ao controle de se mesmo, eu podia sentir o ódio em seu olhar. Então antes que ele pudesse dizer alguma coisa, eu segurei sua mão e levantei voo, seguindo a estrada, pra piorar havíamos perdido muito tempo, e os raptores de sua filha haviam ganhado muito terreno, pela descrição dos carros logo os vimos na entrada da cidade, seis carros brancos em alta velocidade, fazendo o que ele me pediu, joguei ele a frente de um dos carros, as melhorias em seu corpo foram ótimas, pois somente com as mãos ele conseguiu parar o carro, enquanto os homens saiam atirando nele, eu estava parando um outro carro. Aqueles homens pareciam não se importar com as vidas que colocavam em perigo, atiravam em nos sem se importar se iriam acertar alguém inocente, depois de lhe dar com os dois primeiros carros partimos para os próximos, ainda sem encontrar a garota, partimos para os dois últimos, o mais estranho era que nenhum dos indivíduos falou uma só palavra, mesmo sob pressão, não sentiam dor, medo ou qualquer outra coisa, eram como se fossem robôs, mais fortes, mais rápidos, não precisavam falar entre se para avisar os outros de alguma coisa. Theorormyn havia dito algo que me deixou com uma dúvida enorme, “eles já estão aqui.” Será que esses homens tinham algo a ver com a guerra que devastou seu mundo.
Meu novo cavaleiro estava desolado demais para tentar entender tudo o que estava acontecendo, mas num curto momento de lucidez, ele me revelou seu nome e suas historia brevemente, me disse se chamar Robson, ele havia acabado de sair de férias com sua esposa Clara e sua filha Isabela quando no meio da estrada foi cercado por alguns carros, tentaram tirar ele da estrada, mas o treinamento policial falou mais alto e ele lutou até o fim para proteger sua família, más os caras eram diferentes, não sentiam dor, não paravam a menos que recebessem um tiro na cabeça. Acabaram fazendo seu carro virar quando um caminhão veio em sua direção pela contramão, enquanto ele ainda estava atordoado com a pancada, eles pegaram sua filha, enquanto agonizava de dor sua esposa em seus últimos suspiros implorava para ele salvar sua filha, pedindo para que ele prometesse mantê-la em segurança, sem esperanças de cumprir a promessa, ele ainda assim prometeu que faria o impossível para recuperar sua filha em segurança. Após a morte de sua esposa ele rastejou para fora do carro, usando seu braço direito para se arrastar pelo asfalto molhado com a gasolina que vazava de seu carro que aos poucos era consumido pelas chamas, logo as chamas o seguiram, mesmo com seu corpo parcialmente em chamas ele não desistia de tentar, ao menos morreria tentando, nesse ponto algo estranho aconteceu, um cristal vermelho sangue apareceu em sua frente e logo depois eu cheguei.
Enquanto me contava sobre tudo, ele entrava em contato com seus amigos policiais para pedir ajuda, más no local do acidente não haviam corpos, nos carros que paramos na cidade não havia mais ninguém, todos desapareceram sem deixar rastros. Aquele dia não encontramos mais nenhuma pista sobre a filha dele, exceto algo que chamou nossa atenção, algumas garotas estavam sendo sequestradas pela cidade, sempre na mesma faixa de idade, sempre com a mesma descrição e isso me deixou mais inquieto ainda, pois a descrição era a mesma da princesa que deixei na aldeia do Rudá. Más se ela e o guardião haviam chegado em meu mundo na noite que pulei da ponte, e ela não foi vista por ninguém além do pessoal da tribo. Como esses criminosos poderiam estar a sua procura. A voz de Theorormyn ecoava em minha cabeça dizendo a frase “eles já estão aqui”. De alguma forma isso dava mais sentido as coisas, mas ainda não explicava o porque daqueles homens agirem de tal forma. As se complicavam a medida que eu me envolvia nesse mundo, Robson explicou aos seus companheiros de trabalho o que havia acontecido com ele, muitos deles sem querer acreditar, olhavam para mim como se eu fosse um monstro. eu já estava me acostumando a esse tipo de olhar, as pessoas costumam temer o que não compreendem, mas a compreensão deles estava prestes a mudar completamente depois do que descobriríamos a seguir, uma chamada de sequestro, uma garota acabara de ser raptada ao sair da faculdade, o grupamento de Robson logo se mobilizou para o local. Eu fui voando e logo encontrei o veiculo da fuga, sabendo como aqueles homens agiam minha prioridade era proteger a jovem raptada, então antes que eles tivessem reação eu desci, arrancando a porta do carro e arremessando um dos caras para fora, peguei a jovem em meus braços e abri minhas asas formando um escudo para protege-la enquanto os homens atiravam contra nós. Logo a policia chegou para resolver a situação, más foi recebida a tiros de armas pesadas, aqueles policiais não estavam preparados para isso, a guarnição do Robson iria demorar a chegar, aqueles policiais iriam morrer se eu não fizesse alguma coisa. Quando me virei para intervir, fiquei surpreso ao ver Robson correndo como o vento, pulando sobre os carros e atirando contra aqueles homens que não se importavam com os ferimentos. As melhorias no corpo de Robson tiveram bons resultados, ele ficou muito mais rápido que um humano normal. Voltando aos sequestradores, alguns morreram e os que pegaríamos vivos se mataram quando viram que seriam pegos.O que veio a seguir deixou todos pasmos, a analise dos corpos no necrotério constou que aqueles homens não tinham celebro, em seu lugar havia algo diferente, uma coisa estranha havia tomado conta de seus crânios e se desenvolvia enquanto os devoravam aos poucos. Todos do batalhão do Robson passaram a me olhar com outros olhos, pois a frase de Theorormyn também ecoava na cabeça deles. Tudo começava a fazer mais sentido à medida que descobríamos mais.
As surpresas não pararam por aí, em meio a todo o caos, quando revelei minha identidade ao Robson, descobri algo ainda mais grave, havia um mandado de prisão para mim, por agredir aquela que eu amava há uma semana. Eu disse-lhes que havia algo errado, pois eu estava fora há dois meses, o que havia acontecido com o Robson no dia anterior, aconteceu comigo dois meses antes, quando me joguei da ponte em direção a um raio, depois disso eu estava na Amazônia ajudando o primeiro cavaleiro a despertar. Contei-lhes sobre a princesa e sobre minha desconfiança de estarem atrás dela, sobre o que houve com seu mundo e sobre o que estaria a vir para o nosso e que talvez já tivesse chegado, infiltrados entre nós se passando por qualquer um de nós. Más de qualquer forma eu só pensava em ver como ela estava. Logo uma jovem entra pela porta andando em nossa direção, ao vê-la Robson se ajoelha a reverenciando, ela rapidamente pede para que ele se levante, pois não se considera digna de reverencia, a jovem princesa vem até mim e me abraça e me diz para nunca mais a deixar sozinha, mesmo rodeada de amigos e sob a proteção de um tigre bárbaro ela ainda sentia minha falta, a falta de seu guardião. Com sua presença naquele local ficou claro para todos o motivo dos sequestros, alguém estava querendo encontrar a princesa.
Num momento de fraqueza fui até o hospital onde a Joyce estava, uma decisão idiota já que todos acreditavam cegamente que eu havia feito aquilo com ela, me partiu o coração ver que até meus amigos estavam contra mim e no meio de todos eles estava o noivo dela, que me surpreendeu ao me mostrar um sorriso de satisfação, como se ele soubesse ou se ele tivesse feito e jogado a culpa em minhas costas, o que eu mais queria naquele momento era quebrar aquele cara em dois, tanto que não consegui controlar a minha raiva e logo o dia ensolarado deu lugar a um enorme temporal, aproveitei a chuva para poder ir embora tranquilo, as vezes só precisamos de um pouco de chuva para lavar nossa alma, agora eu tinha três problemas para resolver, descobrir onde e quem eram os invasores, encontrar a filha de Robson e provar minha inocência. Voltando a delegacia percebo que todos já tinham uma pequena noção da extensão dos poderes que a armadura me deu, a princesa havia explicado que o mal tempo era uma reação do planeta a meu estado emocional. Expliquei para todos que eu não havia feito nada do que disseram que fiz contra Joyce, eu estava a centenas de quilômetros de distancia tentando entender e controlar esses poderes, e antes que eu pudesse continuar a me explicar, todos disseram que entendiam que alguém armou pra mim e que o mais provável era que o noivo dela tinha feito alguma coisa e pra se livrar, colocou a culpa em mim. Mas eles queriam saber mais sobre a possível invasão, pois se estava acontecendo algo desse tipo, precisaríamos descobrir uma forma de diferenciar pessoas comuns de possíveis invasores. E o principal, precisávamos encontrar a filha de Robson o mais rápido possível.
Os dias foram passando e nos ficando sem pistas, e quando menos esperávamos um barulho chamou nossa atenção, corremos para ver o que havia acontecido e encontramos a princesa em choque olhando para um buraco no teto, as únicas palavras que ela conseguiu dizer foram “O cristal dos meus pais”. Logo percebi que um novo cavaleiro despertaria, más não só um novo cavaleiro, m com a essência dos pais da garota, enquanto eu corria para fora notei que estava sendo seguido e ao olhar para trás percebi que a princesa estava logo atrás de mim, me seguindo de perto, meu coração se partiu ao ver as lágrimas em seus olhos, ela queria poder ver seus pais uma ultima vez e quem sabe até se despedir deles, eu não poderia lhe negar isso por pensar em sua segurança, então chamei o Robson, segurei em sua mão e lhe disse que viria comigo pois eu não saberia o que encontraria e não poderia deixar a princesa desprotegida. Segurei firme em sua mão e rapidamente levantei voo, as melhorias em sua armadura foram boas o bastante pra suportar um voo hiper sônico até o local de descida do cristal, a princesa mesmo tendo suas próprias asas demoraria um pouco para chegar, mas ainda assim o que nos aguardava era assustador até mesmo para nossos padrões. Dois jovens e um cachorro no alto de um prédio, cercados por um grupo de pessoas no alto de um prédio, eles procuravam um jeito de fugir más uma das pessoas atirou no jovem rapaz que cambaleou para trás caindo do alto do prédio, seu cachorro também foi baleado más ainda assim ignorando tudo se atirou atrás do jovem que havia caído do prédio. A jovem caiu de joelhos na beirada enquanto chorava assistindo a queda dos dois. Dessa vez o Cristal não esperou que eu inservisse ele mesmo se dividiu em três, se separando e agarrando cada um dos três, seus corpos rapidamente se ascenderam como luzes, a garota mergulhou em direção ao jovem e seu cachorro. Os três sumiram atrás de um edifício em nossa frente enquanto caiam, más logo algo completamente diferente surgiu perante nossos olhos. Uma figura majestosa surgiu, um cavaleiro com asas em suas costas montado no que parecia ser um lobo gigante com armadura, voando até o topo do prédio e em um movimento de sua espada, ao crava-la no chão sua lâmina brilhante se ascendeu ainda mais forte, uma luz tão forte que ofuscava até a minha visão. Ao se apagar a pessoas no alto do prédio haviam sido vaporizadas, e o cavaleiro estava lá, agora olhando para nós como quem queria que nos aproximássemos. Ao chegarmos ao telhado percebi quão grande ele era, medindo pouco mais de três metros de altura ele logo ascendeu seu corpo em uma luz ofuscante se dividindo duas formas novamente, um cavaleiro com uma armadura reluzente, uma dama com as roupas e asas parecidas com as roupas que a princesa usava e um enorme lobo branco de armadura. Enquanto Robson caia de joelhos olhando a jovem dama a nossa frente, a princesa chegava e antes que pudéssemos dizer qualquer coisa ela se atirou nos braços da jovem a nossa frente. Depois de um tempo eles conversando a princesa nos apresentou, nãos corpos daqueles jovens estavam a mãe e o pai da princesa. O Rei e a Rainha dos guardiões, logo ela se referiu ao Lobo dizendo que ele era uma inclusão rara para um guardião, é algo difícil de acontecer, más as vezes um guardião tem mais de uma alma gêmea, e se as duas almas estiverem de acordo, uma terceira alma poderia entrar no grupo, nesse caso o Lobo era parte do cavaleiro e o cristal o deu uma nova forma.
Enquanto a princesa nos explicava tudo eu percebia que o Robson não parava de chorar enquanto continuava olhando fixamente para a Rainha que logo veio ate ele lhe dizendo para acalmar seu coração, pois sua filha estava segura agora, eles já estavam de partida somente estavam se despedindo de sua amada filha. Robson caiu de joelhos enquanto chorava ainda mais, felicidade e tristeza inundavam seu coração nesse momento, havia reencontrado sua amada filha e ao mesmo tempo a dor da perda de sua amada, sentimentos demais para guardar ou assimilar de uma só vez. A Rainha então se aproximou dele e com a voz suave de sua filha ela lhe falou.
- Robson, você já nos provou que faria tudo para proteger minha amada filha, então decidimos lhe retribuir o favor, sua filha seria consumida por um parasita, o mesmo que você viu antes nas cabeças de alguns que você capturou, nos decidimos intervir antes que fosse tarde. Somente lhe peço que humildemente me perdoe por envolve-la diretamente nessa guerra, eu também tenho uma filha para a qual eu queria um futuro totalmente diferente, más esse foi o nosso destino, ajude nosso novo Lorde a proteger nossos tesouros, pois por elas vivemos e por elas nos damos nossas vidas sem hesitar.
Ao ouvir as palavras da rainha Robson não consegue segurar suas emoções e a abraça. Percebo nos olhos do rei e em um breve movimento de sua mão em direção a sua espada que em outras circunstâncias ele consideraria uma afronta alguém abraçar a rainha desse jeito, más a alma de sua rainha estava no corpo da filha daquele homem, e um sabia o que o outro sentia. O rei então deu um ultimo abraço em sua filha, um ultimo beijo em sua amada rainha e se despediu deixando o corpo daquele jovem. A Rainha em seguida fez o mesmo.
Enquanto a Filha de Robson corria para os braços de seu pai perguntando como estava sua mãe, o jovem deu as costas e se afastava seguido por seu cachorro. A princesa logo correu ate ele segurando seu braço lhe perguntou o porque de estar partindo, o jovem então lhe respondeu que não era digno de estar perto de nenhum de nós, ele foi o motivo pelo qual a Isabella foi raptada, ele estava sendo usado assim como outros jovens, agora ele sabia o que estava de fato acontecendo e precisaria de um tempo sozinho, precisaria se perdoar por colocar quem ele ama em perigo, más ele soube pelo pai da princesa tudo o que estava acontecendo, e na hora de necessidade ele viria ajudar. A princesa então lhe disse que se o pai dela o escolheu ela confiaria nele, pois o pai dela era um grande sábio e ela o amava muito.
O jovem então se foi, junto de seu cachorro. A jovem Isabella continuava abraçada ao seu pai, agora chorando ao saber que sua mãe havia falecido. Chegando no batalhão fomos recebidos com festa pelos amigos de Robson, todos estavam felizes por sua filha ter reaparecido. Más como nem tudo são flores, enquanto andávamos até lá, algumas pessoas me reconheceram de noticias nos jornais e logo um protesto foi feito na entrada do batalhão. Todos pedindo para que eu fosse preso por um crime que não cometi, as nuvens logo se escureceram e os ventos começaram a soprar violentamente, ficando claro para todos ali que eu não estava bem. A princesa logo correu até mim, pedindo para que eu me acalmasse, mas era difícil não ficar bravo, aquela que eu amava estava em coma num hospital, seu agressor livre e me culpando, como se eu tivesse feito aquilo. E pra piorar, eu não podia ficar bravo com isso.









Show!!!! Muito bom MESMOOOOO😃😁💯✔️🔝🙏🌻 parabéns Jorginho!!
ResponderExcluirSamuel--- São Paulo/Brasil
Top👏👏👏 parabéns
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