Capitulo 1 – Coração Partido
Bom, amigos, no início eu não era tão diferente
de vocês. Eu era um cara simples com uma vida normal, como qualquer outra eu
dava o meu melhor todos os dias em um trabalho sem futuro, sem muitas
oportunidades por morar em uma cidade pequena, era bom de uma certa forma, dava
para pagar as contas no final do mês, uma ou outra diversão nos finais de
semana. Mas como qualquer outra pessoa eu tinha sonhos e desejos. o maior de
todos os meus sonhos estava sempre ao meu lado, a mulher por quem sempre fui
apaixonado desde a época da escola, sempre estivemos juntos, desde as árduas
horas de estudos até as melhores festas, ela sempre me fazia sorrir quando eu
estava triste e minha felicidade era ver aquele sorriso em seu rosto, aquele
lindo olhar como uma noite estrelada, que fazia meu sangue congelar e ao mesmo
tempo fazia eu me sentir nas nuvens, com o passar do tempo eu sabia que era ao
lado daquela mulher que eu queria passar o resto dos meus dias. Mas o que eu
poderia fazer, ela me via somente como um amigo e por mais que eu tentasse ela
não queria estragar nossa amizade. Com o tempo minha esperança foi morrendo e
eu fui desistindo, afinal, o que eu poderia dar a ela, eu não tinha nada e ao
mesmo tempo queria poder dar tudo a ela.
O que sei é que minha vida mudaria de uma forma
que eu não esperava, talvez por que eu estivesse iludido demais esperando que
um dia ela caísse em meus braços como mágica, não sei. O que sei é que cada vez
mais nos víamos menos, ela começou a se afastar, estava sempre ocupada ou tinha
algum compromisso de última hora. Uma noite ela me revelou que estava namorando
com alguém, fazia alguns dias, assim como faziam alguns dias que ela estava
distante. uma parte de mim se quebrou aquela noite, eu já sabia que isso
poderia acontecer de certa forma, más não estava preparado, não para o que
estava por vir, quanto mais eu a via feliz ao lado de outro, mais eu me quebrava
por dentro. Os dias se arrastavam e cada dia nos víamos menos. Comecei a ficar
desligado, com a cabeça nas nuvens vivendo no passado e sempre me perguntando
como ela estava, já que até por mensagem estava difícil de conversarmos.
Fui despedido do emprego por acumular atrasos, eu
mal estava dormindo, passava horas acordado olhando para o teto pensando em
cada linha daquele sorriso, minha vida estava desmoronando aos poucos e eu não
conseguia ver. Uma noite eu estava largado no sofá dormindo sobre um pacote de
batata frita quando meu telefone tocou, mal acreditei quando percebi que ela
estava me ligando, logo um sorriso que eu achava ter perdido tomou conta do meu
rosto, atendi feliz esperando ouvir a voz daquela que eu amava, sonhando em
ouvir alguma boa notícia. Naquele momento foi como se os céus ouvissem minhas
preces, ela me convidando pra jantar com a família dela, como de costume, fazíamos
isso com bastante frequência nos finais de semana. A felicidade transbordava em
mim, eu talvez estivesse me iludindo mais uma vez, não sei, eu não me
importava, eu não desconfiava, eu deveria ter sido mais inteligente e previsto
o perigo que me aguardava, más eu estava cego, só queria me sentir bem
novamente, a vida gosta de pregar peças e brincar com os nossos sentimentos.
Aquela noite, me arrumei antes da hora, estava
morrendo de ansiedade, coração a mil, afinal, fazia tempo que não nos víamos,
fui até a casa dela imaginando cada traço do seu rosto, sonhando com nosso
reencontro, eu nem tinha dormido de novo, más dessa vez, era diferente, a culpa
foi da ansiedade, ao chegar na casa dela fui recebido com festa da parte dela,
que veio correndo em minha direção me dando o melhor abraço que eu já havia
ganho, ela estava diferente, irradiando felicidade, tão linda como uma
princesa, minha felicidade foi tanta que não consegui segurar minhas lágrimas
de felicidade ao vê-la.
Então agarrando meu braço ela me levou pra dentro
de casa, eu entrei feliz esquecendo tudo o que avia se passado anteriormente. Dentro
de casa o clima estava diferente, sua mãe e irmãs já sabiam o que estava por
vir, outros como eu ainda não faziam ideia. Então ela soltou meu braço e correu
em direção a ele, foi quando percebi o olhar da mãe dela e meu sangue
congelou. Eu via a tristeza em seus olhos, não por sua filha, mas por mim, ela
olhava pra mim como se eu estivesse prestes a morrer, como se eu fosse receber
uma notícia ruim, ela então veio até mim e nesse momento foi como se o tempo
parasse, ela me abraçou e sussurrou em meu ouvido, -Eu sinto muito
querido, eu pedi pra que ela não te chamasse, você não merecia passar por isso,
não dessa forma. Todos se sentaram a mesa e antes que alguém pudesse dizer
alguma coisa, ela então se desculpou e disse que não poderia mais esperar, que
já estava segurando isso a muito e não aguentava mais esperar.
Eles estavam noivos, e aquele era o dia mais
feliz da vida dela.
O que havia sobrado de mim havia acabado de
quebrar naquele momento, meu mundo havia sido destruído, meu coração se partido
em milhares de pedaços, e eu só queria sair correndo daquele lugar, agora as
palavras de sua mãe faziam sentido, mas eu ainda não tinha dado meu último
suspiro, mesmo querendo gritar, chorar e morrer, usei toda a minha força para
me conter. Eu não queria estragar aquele dia tão feliz para ela, forcei um
sorriso e aplaudi junto a família dela, seu pai feliz resolve então propor um
brinde aos noivos e quando eu pensei que não poderia piorar, aquele desgraçado
pede a atenção de todos, se ajoelha frente a ela e a pede em casamento. Ela não
se contendo de felicidade o abraça, os dois se beijam apaixonados.
Eu morri mais uma vez no momento que a ouvi dizer
sim, não percebi na hora más a taça de vinho em minha mão havia se quebrado,
todos congelaram rapidamente enquanto vinho e sangue se espalhavam sobre a
mesa, eu ainda estava tentando processar o que estava acontecendo e logo
percebi o que aconteceu. Eu sorri tentando disfarçar e na tentativa de levar o
caso na brincadeira todos começaram a sorrir culpando a fragilidade da taça,
logo pedi desculpa a todos e fui para a cozinha retirar os estilhaços de vidro
da minha mão, algumas pessoas incluindo ela me acompanharam, más logo os
convenci a voltarem a mesa, más não seria o bastante, ela e a mãe dela correram
para pegar algo para fazer um curativo, enquanto eu, sem me importar de remover
os estilhaços de vidro de minha mão, o que eu mais queria era sair dali e
desaparecer, afinal não haveria mais nada ali para mim então antes que notassem
eu sai pela porta da cozinha e fui embora, eu não sei o que aconteceu depois...
eu não fui para um hospital... eu não fui pra casa... ao invés disso eu andei
sem rumo até amanhecer, eu não sei mais o que eu sentia, só sabia que eu queria
acabar com tudo aquilo, eu queria morrer de alguma forma. Quando me dei por
mim, já havia saído da cidade e estava caminhando descalço na beira da pista,
meus sapatos haviam ficado pra atrás, meus olhos já não tinham lágrimas para
chorar, andei até o ponto em que desmaiei.
O cansaço me
fez apagar sem aviso, e o mais estranho foi acordar sozinho horas depois num
barranco ao lado da rodovia, a quilômetros da cidade. Eu estava sujo por conta
do orvalho nas plantas e da terra úmida, más enquanto retornava a minha
sanidade, ficava mais claro pra mim, ela era a razão da minha felicidade e sem
ela nada iria dar certo naquela cidade, as lembranças me cortariam como laminas
afiadas a cada vez que eu olhasse para um lugar conhecido, eu precisava dar um
novo rumo a minha vida, recomeçar do zero de alguma forma, então me dei duas
opções, morrer de uma vez ou fazer a maior loucura da minha vida e ir embora
sem olhar para trás e como morrer não era algo que eu queria fazer eu logo me
recompus e então sai de mais um emprego, com urgência vendi minha casa, eu
tinha duas opções mudar de cidade e tentar uma nova vida do zero ou fazer algo
que eu sempre quis fazer com ela, sempre quisemos sair e conhecer o mundo, más
a vida não havia nos dado essa oportunidade, agora eu me perguntava, aonde esse
dinheiro me levaria.
Depois de vender tudo o que eu tinha e ignorando
várias mensagens e chamadas perdidas em meu telefone, eu estava em frente a uma
concessionária comprando um carro antigo, um clássico que sempre sonhei em ter,
ele agora seria meu parceiro de viagem, depois de arrumar tudo pra ir embora de
vez uma surpresa do destino conseguiu me quebrar mais uma vez, antes que eu
tivesse a chance de sair sem dizer adeus, eles me encontraram. Ela me perguntou
o que eu tinha na cabeça pra sair daquele jeito, pra não atender suas ligações
e principalmente pra estar agindo dessa forma. Ela estava brava, preocupada,
era nítido pra mim, eu não queria responder nenhuma daquelas perguntas, eu
sentia o choro em minha garganta, eu não conseguiria falar uma palavra naquele
momento sem acabar chorando, então fiz o que eu nunca havia pensando em fazer
antes, andei até ela, olhei em seus olhos mais uma vez e antes que ela tivesse
reação eu lhe roubei um beijo. Ela estava em choque por alguns instantes, acredito
que unindo as peças do que estava acontecendo, seu noivo, no entanto, partiu
para agressão me dando um belo soco no rosto. Enquanto ele esbravejada e
praguejava, eu fui em direção ao meu carro, enquanto ele se acalmava e dizia
que haviam vindo até mim porque ela queria que eu fosse o padrinho de casamento
dela, mas que depois disso, eu nem deveria aparecer na igreja.
Eu continuei andando calado lágrimas
desciam pelo
meu rosto enquanto eu entrava em meu carro e ia embora. Não tive mais
notícias
a partir daí, eu segui a estrada até onde ela desejasse me levar, más
por mais
belas que fossem as paisagens eu não me sentia feliz, era como se parte
de mim estivesse
faltando, como se meu coração tivesse morrido naquela cidade. Os dias
viraram
meses e logo eu estava tão longe quanto jamais havia ido. Agora gastando
meus
últimos centavos em um bar, um estranho me perguntou o que havia algo
errado
comigo. eu respondi que àquela altura, a mulher que eu amava já havia se
casado
e deveria estar vivendo a vida dela feliz com outro cara, enquanto eu
estava
bebendo em um bar no fim do mundo, eu havia perdido ela e entre o álcool
e as lágrimas eu me levantei cambaleando e ignorando os conselhos
daquele estranho,
eu peguei meu carro e segui em direção aquela estrada escura, não
demorou muito
para que eu notasse as luzes no retrovisor, acho que o estranho chamou a
polícia
por estar dirigindo bêbado, isso ou os policiais só me viram correndo
mesmo. Os
policiais gritavam para que eu parasse enquanto eu acelerava ainda mais,
ainda
não sei como eu conseguia pilotar tão bem, más eu estava dirigindo tão
bem
quanto nunca havia dirigido, por horas eu corri naquela pista escura,
sobe a
luz das estrelas, más aquela noite algo estava errado, o céu estrelado
logo se
escureceu em poucos minutos não havia mais estrelas no céu, somente
nuvens
negras e logo um forte temporal começa a cair, eu queria que minha
jornada
terminasse com o nascer do sol, queria ver o brilho amarelo do nascer do
sol
mais uma vez, mas acho que o destino queria algo um pouco diferente pra
mim,
parecia que o tempo queria mostrar ao mundo como eu me sentia, em meio
aquela
chuva pesada com raios e trovões, o maior temporal que eu já havia
visto, eu
estava perdendo o controle mas não queria parar, se eu parasse seria
preso. Eu perdi
o controle e bati meio de uma ponte, era o fim da linha pra mim, a
polícia havia parado logo atrás de mim, gritando para que eu me deitasse
no
chão. Era o fim da linha, eu não tinha outros planos e então,
desobedecendo
suas ordens, corri para a lateral da ponte e pulei.
Foi naquele momento que a coisa mais estranha do
mundo aconteceu, percebi tudo ficando devagar, eu conseguia sentir cada gota
d’agua batendo em minha pele, a voz de cada policial gritando para que eu
voltasse enquanto eles corriam em minha direção, o som das aguas correndo com
fúria e violência no rio abaixo de mim, o vento frio quem mudou de direção me
jogando em direção ao abismo, o céu se rasgando ao som do maior trovão que eu
já havia ouvido, o calor e a luz de um raio vindo em minha direção e me
apanhando como se eu fosse um brinquedo. Era esse o meu fim.
Capitulo 2 – Anjo
Eu não esperava era acordar num lugar escuro onde
eu não enxergava nada além de dois olhos me olhando em meio a escuridão, o medo
tomou conta de mim enquanto aquele ser me olhava, eu não sabia onde eu estava,
não sabia se eu havia morrido ou o que era aquele lugar. por um tempo ele não
disse uma única palavra, mas continuava andando a minha volta, em um certo
momento ele parou em minha frente e veio até mim, seus olhos emitiam um forte
brilho verde azulado que ficava mais forte a medida que ele se aproximava.
Quanto mais perto ele chegava mais detalhes de seu corpo ficavam a mostra, ele
estava ferido, muito de seu corpo estava em carne viva, outras partes ainda
cobertas por uma armadura despedaçada, seu rosto ainda encoberto pelas sombras
arrepiava até mesmo a minha alma, eu congelei de medo, não sabia o que pensar
ou fazer, a única coisa que eu conseguia pensar era que eu havia morrido e
aquilo seria o que vinha depois da morte. Aquele ser segurou minha mão e logo
uma fumaça preta começou a sair de seu corpo e me envolver. Eu desesperadamente
comecei a me debater e gritar por ajuda más era inútil, ele segurava minhas
mãos com uma força descomunal. Logo aquela fumaça negra havia tomado conta de
tudo e eu não conseguia ver nada além daqueles olhos me encarando e uma voz
sussurrando em minha cabeça que dizia -Cuide da garota, eu estou no final das
minhas forças e não posso mais protege-la, “Eles” estão vindo e vão matar a
todos deste mundo se você não conseguir detê-los, a garota deve ser protegida.
Eu acordei ao lado de uma cachoeira com uma
garota debruçada sobre mim, chorando como se eu houvesse morrido, e ao perceber
que acordei ela se afastou assustada. Em seus olhos eu podia ver a dor de quem
perdeu alguém que amava. Eu olhava atentamente a minha volta, sem entender o
que estava acontecendo, tentando ver se algo que fazia sentido, más estávamos sozinhos
naquele lugar e antes que eu pudesse perguntar o que havia acontecido, ela me
abraçou chorando sem dizer uma palavra. Eu podia sentir suas lágrimas em meu
peito, enquanto seus braços apertavam meu corpo em busca de alguma forma de
consolo. Um sentimento estranho tomou conta de mim, de alguma forma eu sentia
que devia protege-la.
Estávamos no meio da mata fechada ao lado de uma
cachoeira em uma noite escura e fria, aos poucos eu sentia seu corpo tremer de
frio, então eu retribuo seu abraço na esperança que meus braços pudessem
aquece-la. Foi então que as coisas começaram ficaram ainda mais estranhas,
enquanto meus braços a envolviam, um par de asas negras que surgiram das minhas
costas fazia o mesmo. Eu não havia percebido, más a armadura do ser que eu
tinha visto em meu sonho agora estava em mim. Agora eu estava ainda mais
assustado, se a armadura em meu corpo era real, o sonho também era real a
criatura e o que ela havia dito agora me assustavam ainda mais, afinal quem
estaria vindo e de que eu deveria protege-la.
Ela dormiu
em meus braços aquela noite enquanto eu continuava me perguntando o que estava
acontecendo lentamente fui pegando no sono, eu estava cansado sem motivo para
estar, era como se alguma coisa me puxasse para um sono profundo contra minha
vontade, eu adormeci profundamente e logo estava preso em um sonho do qual não
conseguia acordar, era um lugar escuro mas familiar, me vi novamente cercado
por uma névoa negra e densa, foi quando novamente eu vi dentro da névoa aqueles
mesmos olhos verdes azulados se aproximando de novo e logo em meio a névoa
começo a ver ao meu redor imagens de uma guerra, naves descendo do céu em
chamas, sangue e guerreiros mortos em meio a um massacre brutal. Em meio a isso
seis guerreiros se destacavam lutando contra os invasores de formas que eu nuca
sonhei ver. Uma criatura bestial muito semelhante a mistura de um tigre e um humano,
lutando ferozmente usando machados, seus rugidos ferozes faziam os céus se
rasgar em raios e trovões, como se a natureza daquele lugar respondesse ao seu
chamado, seguido por um exército de feras como ele, lutavam como animais
ferozes rasgando seus inimigos como se não fossem nada, em seus olhos eu via um
orgulho imenso e a fúria de um animal selvagem lutando para defender sua casa. Os
olhos na escuridão completaram me dizendo. – Aqueles são os Bárbaros das
montanhas do norte, sua lealdade não tem preço assim como a sua fúria não pode
ser facilmente saciada, seu povo pacifico pode facilmente se tornar agressivo
se fizer algo que os desagradem.
Olhando para o próximo ele continuou dizendo. –
Aqueles são os caçadores, não estranhe seu corpo estranho, fisicamente não
nasceram para ser fortes, mas nasceram com habilidades impressionantes que os
tornam praticamente os atiradores perfeitos, suas armas estranhas se adaptam ao
seu corpo, sua pele meio carne meio aço se deve a uma combinação de armadura e
agilidade que eles adoram, se eles te observarem de longe, você nunca saberá o
que o atingiu.
Em meio ao caos um grupo do que eu só
poderia
descrever como bailarinas se destacava, ou foi o que me pareceu quando
eu vi
aqueles seres correndo em alta velocidade e dançando como o vento usando
suas
lâminas afiadas para cortar seus inimigos antes mesmo que eles tivessem
qualquer reação. Logo a voz completou me dizendo que eram conhecidas
como as Damas Mortais, uma raça inteira regida por mulheres, os homens
de sua raça
foram ligeiramente caçados e a maioria foi exterminado, os poucos ainda
existentes são reprodutores, o maior prazer dessas assassinas é matar.
Alguns poucos de uma espécie diferente das
outras, algo que eu só poderia descrever como um mago que dominava os elementos
e conseguia atacar de formas que eu nunca havia visto, manipulavam os elementos
de uma forma como se tudo fosse uma extensão de seu corpo. Dominavam a
gravidade e a matéria como se estivessem brincando. A Voz completou os chamando
de os refugiados. – Guerreiros de outro mundo, refugiados em meu mundo, eles
quem nos avisaram da ameaça por vir, suas habilidades impressionam qualquer um,
conseguem distorcer tempo e espaço com um simples pensamento.
Um casal que se juntava formando uma criatura
colossal, seu corpo era uma mistura de luz e armadura, logo outros surgiram
erguendo seus escudos para proteger cidades dos ataques das imensas naves que
chegavam. Aqueles olhos vêm até mim dizendo que aquele era o poder supremo dos
guardiões, dois seres capazes de unir corpo e alma em um novo ser super
poderoso, mas altamente pacifico, um ser de luz, um presente dado aos guardiões
pela estrela mãe, convocado apenas num momento de grande necessidade e
unicamente para proteger os mais fracos. Dentre os guardiões haviam duas
classes, os guerreiros, um exército formidável de soldados lendários que estão
sempre preparados para tudo, cada um com habilidade suficiente para destruir um
exercito inteiro usando sua espada, ou proteger qualquer um com seu escudo. Ao
seu lado sempre um mestre da magia, habilidoso tanto em curar quanto em
proteger.
Em meio todo o caos daquela guerra, um último
guerreiro se revelou, com uma armadura negra familiar subiu aos céus com suas
asas de fogo, deixando um rastro de fumaça negra, rapidamente ele saiu da
atmosfera do planeta e logo eu a vi, uma enorme nave muito maior que as outras
que estavam atacando as cidades, a que se aproximava era tão grande quanto a
lua desse mundo, então eu uma enorme explosão, o céu inteiro mudou de cor, era
como se uma nova estrela surgisse no céu, enquanto em terra no calor da
batalha, dois dos cinco que ficaram foram mortos em batalha e de seus corpos
saíram duas pequenas luzes, que logo seguiram em direção a uma jovem, a mesma
jovem que estava na mata comigo quando acordei, ela então num gesto majestoso
se envolve em uma luz forte, mal dava para ver a silhueta de seu corpo, fazendo
isso ela sobe aos céus saindo também do planeta e numa enorme explosão de luz
ela ilumina tudo ao seu redor, sua explosão de luz logo se contrai, puxando
tudo ao seu alcance, as duas estrelas mães e dois planetas, quanto mais
próximos a ela, menores eles ficam, até se juntarem a ela de uma forma que todo
aquele sistema solar fosse envolto numa pequena esfera de energia na palma de
sua mão, dessa esfera de energia saem cinco pequenos cristais brilhantes que
logo se apagam. Logo o guerreiro que
havia saído do planeta antes dela, retorna a ela envolvendo-a em suas asas e
lançando os dois no espaço profundo.
Tudo volta a escurecer e aqueles olhos verdes
azulados reaparecem olhando para mim. – Sem meu cinco cavaleiros a armadura não
tem força, com o esforço excessivo eu esgotei as minhas energias e não podia
mais lutar, sacrificamos tudo para não sermos escravizados pelos invasores,
eles corrompem mundos inteiros só para aumentar seus exércitos, logo eles
chegarão ate vocês, meu povo acolheu refugiados que nos avisaram sobre a
invasão, eu estou lhe dando a chance de preparar seu mundo para lutar contra
essa invasão, e lhe implorando para que cuide da princesa, pois eu não posso
mais. Dito isso os olhos sumiram na fumaça e eu acordei assustado depois desse
sonho, me perguntando se aquilo seria real ou coisas da minha imaginação, mas a
essa altura, o que seria sonho, realidade ou imaginação. A Luz através da copa
das arvores me dizia que já estava tarde, eu havia dormido tanto que perdi
metade do dia, eu me levanto e meio cambaleante ainda tentando me acostumar ao
peso daquelas asas, começo a andar pelo lugar, nada naquele lugar se parece com
algo que eu já tenha visto antes. Logo avisto a garota sentada no alto de uma
pedra observando o horizonte. Me sento ao seu lado em silencio esperando que
ela me dissesse algo. Por um tempo ela também continuou em silencio e
lentamente lágrimas começam a brotar em seus olhos, tentando esconder, ela
rapidamente se levanta e volta pra beira da cachoeira. Eu continuei ali,
sentado olhando o horizonte até escurecer, pensando em tudo o que estava
acontecendo e sem nada entender.
Horas depois eu estava deitado no mesmo lugar
observando as estrelas. Lentamente a garota se aproxima, deita-se ao meu lado
colocando sua cabeça no meu peito e me abraçando mais uma vez, novamente sinto
meu peito molhado e percebo que ela estava chorando mais uma vez, eu farto de
tudo aquilo tento falar com ela e sou interrompido, ela com uma voz doce e
suave começa a me explicar que o sonho que tive, não era um sonho. Era uma
mensagem, lembranças dos últimos momentos da casa dela, seu mundo foi devastado
por uma guerra sem motivos, por um inimigo cego em busca de poder, o poder que
seu guardião havia entregado a mim, pois ele estava no final de sua vida e como
eu estava tentando me matar, talvez eu pudesse ter uma segunda chance e um novo
propósito em minha vida.
Ela continuou me contando que com o fim de seu
mundo, o Guerreiro que era a última esperança para que eles ganhassem a guerra
ainda não havia despertado seu poder, e com seus cavaleiros caindo a guerra
estava perdida e ela foi obrigada a selar as estrelas usando todo o seu poder,
seu guardião, ao ver seu sacrifício, a segurou e os lançou a deriva no espaço
numa última tentativa de escaparem, más com o tempo e a vastidão do espaço
contra eles, a armadura necessitando de energia consumiu seu usuário aos poucos
e ao passar perto do meu planeta se viu no dilema de encontrar alguém para
passar o manto de Lorde, foi quando ele me viu de carro fugindo dos policiais,
e no momento que eu pulei da ponte, ele sabia que eu iria morrer, então poderia
eu servir a um propósito maior, poderia ser usado como um guerreiro caso a
guerra que devastou seu planeta chegasse até nos, então sem pensar duas vezes
ele vem até mim, sua armadura me abraça como se fosse feita sobre medidas para
meu corpo, esse último esforço somente sua consciência restava na armadura e
depois de olhar em minhas memórias e ver quem eu era desde o meu nascimento,
ele decidiu que eu seria seu sucessor, se desculpou com ela por não poder
continuar e sua consciência deixou este mundo, me deixando vinculado a
armadura, agora é meu dever reunir cinco cavaleiros para liberar o poder da
armadura e me preparar pois um dia proteger meu mundo daquilo que devastou o
seu mundo.
Com o passar dos dias, eu me apegava mais aquela
garota. Tudo o que ela havia passado e o que foi obrigada a fazer. Ninguém
deveria ser obrigado a passar por isso, por ordem de seus pais ela foi obrigada
a sacrificar tudo, a guerra estava perdida e eles não poderiam permitir que seu
povo fosse escravizado. Por um tempo ela me ajudou a compreender e controlar
minha força e as habilidades da armadura, foi difícil pra mim, pois sem a
armadura, eu já me sentia mais forte do que antes, com ela eu sentia que tinha
força suficiente para abrir o mundo ao meio sem fazer esforço. Um certo dia
enquanto ela me contava sobre os cavaleiros que eu precisaria encontrar, ela me
mostrou os cristais e me contou sobre eles e suas finalidades, enquanto seu
povo se preparava para a guerra um mago sugeriu que nosso objeto mais sagrado
pudesse ser usado para salvar nosso povo, então um dos fragmentos de estrela
que há muito havia caindo em seu mundo, um objeto de um metal único expelido da
estrela mãe de seu mundo, sagrado pois ele conseguia canalizar a energia da
estrela e se ascender em uma chama verde que iluminava os céus nas noites
mais escuras. Ele foi usado para forjar a armadura que estou usando, mas como
uma forma das cinco raças terem controle sobre quem usaria a armadura, e para
evitar que alguém tomasse para se o domínio da armadura e usasse contra os
outros, cinco cristais foram fundidos a essência vital de cada líder que
comandavam as cinco raças, de forma que só existem duas formas de passar um
cristal adiante, se um cavaleiro escolher um sucessor, ou se um cavaleiro for
morto, dessa forma, seu cristal escolherá um novo cavaleiro com as mesmas
qualidades do primeiro. De certa forma isso era ótimo, más deixou uma grave
falha, durante a guerra tudo desmoronou com a morte de um dos cinco, o cristal
não encontrou ninguém para substituir, então caiu o segundo e o terceiro,
somente ai que perceberam que cometeram um erro, quem usa a armadura só obterá
pleno controle se estiver com seus cinco cavaleiros, do contrário será destruído
com o tempo, pois a armadura deveria utilizaria a energia da estrela de sua
origem para se energizar, más antes que seu cavaleiro chegasse perto o
bastante, os inimigos já haviam derrotado alguns cavaleiros.
Enquanto ela me explicava toda a história, fomos
interrompidos por algo que chamou sua atenção, uma pequena luz laranja brilhava
em sua roupa, logo ela retirou de suas roupas alguns cristais e um deles estava
brilhando como fogo, um brilho intenso que clareava tudo ao nosso redor, logo
ele começa a levitar e num piscar de olhos se lança aos céus em alta
velocidade, a garota logo me pede para segui-lo, pois o primeiro dos meus
cavaleiros iria despertar. Eu sem entender muito o que estava acontecendo me
levanto e a questiono sobre uma dúvida que estava em minha cabeça, afinal, eu
precisava protege-la e precisava seguir o cristal ao mesmo tempo, como eu
poderia fazer as duas coisas. Ela então se aproximou de mim e com um sorriso me
mostrou que ela também tinha asas, logo de suas costas surgem um par de asas
brancas com um leve brilho dourado, ela então pede para que eu siga o cristal e
ela irá me seguir. Logo a armadura toma forma em meu corpo, suas asas negras se
abrem e em um pequeno impulso seu eu rapidamente alcanço os céus, e enquanto eu
pensava em como encontraria algo tão pequeno voando tão rápido, eu começo a
senti algo estranho, como as batidas do meu coração indicando fora de mim uma
direção a seguir. Eu logo corto os céus voando cada vez mais rápido, em um
determinado ponto enquanto sobrevoava uma floresta eu me deparo com uma zona de
guerra entre homens e índios e em meios há vários corpos um cristal flutuava
junto a um jovem índio ferido. Seria esse então meu primeiro Cavaleiro.
Capitulo 3 – Rugido
do Tigre
Em meio a uma guerra entre índios e homens o
cristal escolhe um jovem guerreiro quase morto, pela sua aparência não deveria
ter mais de doze anos, o que deixava tudo ainda mais estranho, uma criança
sendo escolhida para ser um soldado e lutar em uma guerra. um homem que estava
prestes a matar o garoto logo avista o cristal flutuando em frente ao garoto e
ao tentar segura-lo, o cristal então queima sua mão, enquanto ele gritava de
dor, eu logo vou até ele. minha chegada parou o massacre, todos ficaram em choque
enquanto me olhavam andar em direção aquele jovem, meio que por instinto eu me
ajoelho em sua frente, seguro sua mão e empurro o cristal em direção ao seu
peito.
O cristal se desfaz em contato com a pele do
jovem e sua energia é absorvida pelo corpo do garoto que logo começa a gritar
loucamente, seu pequeno corpo se contorcendo de dor enquanto assumia uma nova
forma, seus gritos de dor e agonia logo começam a ficar mais graves, seus
músculos e ossos se contorcem aumentando de tamanho, cada célula do seu corpo
agora mudando enquanto seu corpo cresce sem parar, seus olhos antes com medo
agora dão lugar a uma fúria sedenta por sangue, seus gritos se calam, por
alguns instantes aquele jovem continua agachado em minha frente, ainda se
acostumando com o que aconteceu, logo ele começa a se erguer, uma fera bestial
com pouco mais de dois metros de altura, aparência dividida entre tigre e
homem, ele olha em volta e observando a situação se volta para mim, ajoelha-se
perante mim e me diz com uma vos grave. – Meu lorde, me chamam de Tôoran, o
primogênito de Rorovar, Príncipe dos Bárbaros das planícies geladas de Dalfin,
humildemente espero que se agrade com minha escolha para meu sucessor, esse
jovem ainda não tem todas as qualidades de um bárbaro guerreiro, más em seu
peito bate o coação de um príncipe Bárbaro como eu, ele não era o melhor de seu
povo, más na hora certa ele soube mostrar seu valor, estou feliz em encontrar
alguém de coração forte para carregar o legado de minha linhagem, só lhe peço
que me deixe lutar mais uma vez, sei que os inimigos aqui são fracos más, lhe
peço que me permita vingar o sangue que injustamente foi derramado nessas
terras e rugir para o mundo mais uma vez em honra ao meu povo.
Nesse momento, olho para aqueles homens armados e
peço para que eles corressem, pois eu não iria segurar o tigre, se eles fizeram
o mal sem motivos, aquele seria o preço que eles pagariam. Como que por
instinto da armadura, as penas das pontas das asas se moldam em dois machados
grandes, se soltam das asas caindo ao chão, logo o tigre os pega e olhando em
meus olhos me agradece, eu meio que sem entender, me deixo levar pelo momento e
somente observo aquele bárbaro adentra a floresta ferozmente, perseguindo os
homens que haviam fugido, logo todos que ficaram escutam tiros, gritos,
rugidos, barulhos de arvores se quebrando. alguns que haviam ficado no local,
ainda congelados de medo ainda sem acreditar no final trágico que teriam,
começam a implorar por perdão, rastejava até mim como se eu fosse ajuda-los.
Logo a fera retorna me agradecendo pela oportunidade, agora ele poderia
descansar em paz, pois havia escolhido bem seu sucessor, a fera então fecha
seus olhos e seu corpo volta a forma humana, o jovem índio agora assume de
volta o comando de seu corpo entendendo tudo o que estava acontecendo, enquanto
seu corpo estava sob o controle de Tôoran, sua mente percorria as memórias de
Tôoran revivendo seu passado. O jovem então se aproxima de mim, se ajoelha
cravando seus machados no chão e dizendo alto para que todos ali escutassem. –
Meu Lorde sou Rudá, da tribo dos Omãntiacioas e viverei para servi-lo meu
lorde, pois até a minha morte meus machados e eu estaremos sob seu comando e
minha linhagem o seguirá mesmo depois da minha morte. Antes que eu o pedisse
para se levantar a jovem chegou onde estávamos, os índios e alguns poucos
homens que ainda estavam ali, ficaram maravilhados com a beleza da jovem que
chegara voando. Logo o jovem índio se vira pra ela se ajoelhando e antes que
ele repetisse as mesmas palavras que me disse, ela se ajoelha junto a ele, pega
suas mãos e pede gentilmente para que ele se levantasse, pois ele não devia
nenhuma jura de lealdade a ela, os antigos costumes de seu povo não deveriam
ser endereçados a ela pois ela não era uma guardiã completa, o fim de seu mundo
havia chegado antes que ela encontrasse sua alma gêmea, por esse motivo seus
pais tomaram seu lugar como guardiões do cristal branco, dentre todos ela foi a
única princesa a não poder defender seu mundo, a ela foi entregue a pior
tarefa, destruir tudo para que ninguém fosse capturado e sofresse com tortura e
escravidão nas mãos do inimigo.
Para mim estava claro que ela de alguma forma não
se sentia digna, mesmo fazendo parte da realeza, dos nobres de seu povo ela era
uma jovem simples de bom coração, que se culpava pelo que a obrigaram a fazer,
não deve ser fácil conviver com isso.
O jovem então a surpreende lhe dizendo que no
pouco tempo em que esteve nas memórias de Tôoran, percebeu que ele e todos do
seu povo sentiram gratidão pelo sacrifício que ela fez, os Bárbaros preferiam
morrer gloriosamente em batalha a serem humilhados e obrigados a serem animais
de estimação, e que ele estava feliz em ser um de seus cavaleiros, pois tinha a
certeza de que ela tinha a coragem de fazer o necessário se o pior acontecesse.
A jovem princesa então cai de joelhos com
lágrimas nos olhos. Havia passado anos se culpando por não ser digna de portar
o cristal de sua família, se culpava por ser obrigada a destruir seu lar com
todos que estavam lá e no final, descobrir que todos estavam gratos pelo seu
sacrifício.
Quanto a mim, tudo aquilo estava mexendo com o
meu emocional e enquanto lágrimas se formavam em meus olhos, o céu também se
enchia com nuvens brancas e logo uma garoa fina começa a cair sobre nós. Chuva
suficiente para apagar o fogo que queimava casas e arvores. Com a chuva
quebrando o clima emocional eu me volto para os três homens que ainda estavam
ali e os pergunto o que havia acontecido, um deles gaguejando e tremendo de
medo me revela que eram madeireiros que foram pagos para espantar os índios
daquele lugar pois precisavam cortar as arvores e os índios não deixavam, ele
implorou por suas vidas, disse que não queria ter matado ninguém e que não
queria estar ali, mas foi obrigado. Antes que eu permitisse que ele seguisse
seu caminho, um índio se aproxima de um deles e diz que os outros dois poderiam
ir embora, mas aquele frente a ele ficara, pois enquanto os outros poderiam não
querer machucaram ninguém, aquele outro gostava do que estava fazendo, aquele sentia
prazer em ferir todos que encontrava, sem se importar com nada, aquele iria
perder a vida por ter matado sua mulher e filha rindo de seus sofrimentos. Eu
não interferi na decisão dele, eu meio que faria o mesmo ou pior no lugar dele.
Enquanto o homem gritava por piedade, aquele índio chorava enquanto usava uma
lança com ponta de madeira para perfurar as costas daquele homem.
Eu a jovem princesa e o jovem índio saímos
caminhando buscando os feridos e tentando ajudar a todos como podíamos, logo
descubro uma das habilidades daquela jovem, ela podia curar as pessoas, logo
todos os feridos estavam perto dela, carregados ou mesmo os que conseguiam
andar, logo o brilho dourado de suas asas estava curando a todos, más algo
estava errado, quanto mais tempo aquilo durava mais pálida a jovem ficava, até
o momento em que ela desmaiou, antes que ela chegasse ao chão eu a segurei, num
breve momento de lucidez ela me contou que toda sua magia estava concentrada em
manter as estrelas de seu mundo aprisionadas em um feitiço, ela estava usando
sua energia vital para curar a todos e isso a enfraquecia. O Jovem índio então
explicou isso a sua tribo e todos se dividiram, enquanto uns recolhiam seus
mortos, outros correram para providenciar abrigo e comida para manter a jovem
enquanto recuperava suas forças.
Conforme os dias
passavam naquele paraíso, eu notava que a jovem princesa começava a se soltar,
agora aquela jovem tímida brincava e se divertia com as jovens índias daquela
tribo. o jovem índio passava horas na floresta meditando, caçando, se
conectando com sua nova forma animal. Eu não conseguia me encaixar naquele
meio, fui criado na cidade e tudo pra mim ali era novo, a comida, o jeito que
eles viviam, o jeito como se tratavam, tudo era diferente, tudo era bom demais,
alguns ainda choravam suas perdas, outros incluindo as crianças se esforçavam
para seguir em frente. Somente uma coisa não mudava, toda noite a princesa
preferia dormir aconchegada em minhas asas, eu não entendia bem o porquê no
início, mas com o tempo foi ficando claro pra mim. Eu agora era o último elo
com seu passado, seu último guardião por milhares de anos luz a manteve segura
em suas asas, asas essas que agora me pertencem, tudo fez sentido a partir daí,
aquela garota feliz e brincalhona que eu via durante o dia era uma fachada, no
fundo ela ainda tinha medo, se sentia desprotegida, as vezes eu sentia suas
lágrimas em meu peito e via que ela estava tendo algum tipo de sonho ruim, em
outras noites ela simplesmente dormia feito um anjo. Más com o raiar de cada
dia sua fachada retornava, ela voltava a ser a garota alegre passeando pela
tribo, ajudando, brincando e sorrindo.
Por mais que eu estivesse ali junto a eles
ajudando a reconstruir a aldeia, eu ainda percebia que muitos tinham medo de
mim, outros tinham medo do jovem Rudá, no caso um em especial não escondia sua
desaprovação pelo Rudá ter sido escolhido pelo cristal, nos olhos dele eu via a
inveja e a raiva sempre que eu o via olhando para o Rudá, ele queria ter sido
escolhido e não fazia questão de esconder isso. Já o jovem Rudá, não se
preocupava com isso, antes de tudo ele era considerado pequeno e fraco,
rejeitado pelos outros guerreiros de sua tribo por ser o mestiço criado pelas
mulheres da tribo depois que sua mãe morreu nas mãos dos madeireiros alguns
anos antes. Por sua vez, sua mãe foi vítima de um amor proibido se apaixonando
pelo jovem filho de um madeireiro, quando o pai do rapaz soube que a jovem
índia havia dado a luz a uma criança ele não descansou até matar a moça e agora
ele caça os índios dessa tribo em busca de matar a criança que tem seu sangue.
Por ter sido criado em meio as mulheres da tribo,
todas as jovens gostavam dele e passavam muito tempo com ele, isso deixaria os
outros ainda mais incomodados, os únicos homens que respeitavam ele, eram o
cacique e os adultos de sua tribo, aqueles que conheceram seu passado. Acho que
por esse motivo ele prefere agora passar mais tempo no meio da floresta.
Aprendendo a controlar seu instinto animal, seu lado perigoso poderia facilmente
responder a qualquer provocação de forma extrema, eu sei porque no momento em
que o tigre foi despertado eu também senti que algo dentro de mim também
despertou, como se parte de um tigre também estivesse adormecido dentro de mim,
ainda não sei o que é ou como chamar isso mas quero descobrir logo.
Com o passar dos dias eu percebo uma rivalidade
aumentando entre Rudá e o jovem índio que o invejava, ao ponto das coisas
ficarem feias entre eles, o jovem índio em um acesso de raiva agrediu jovem
Rudá em sua forma humana, de longe presenciei o Rudá se controlar de uma forma
impressionante e enquanto controlava os instintos assassinos do tigre dentro
dele, não revidar ao ataque de seu agressor o jovem Rudá rugiu alto, suas
presas e garras a mostra, intimidaram a todos, se ele não se conte-se seu
oponente seria dividido em dois com o mínimo de esforço. Isso me deu a certeza
que Tôoran fez a escolha certa, o Jovem Rudá aprendia e crescia rápido. Os dias
logo viraram semanas, e tudo foi se ajeitando, eu so não esperava que o destino
de Rudá o levasse por um caminho ainda mais complexo. uma noite enquanto andava
pela floresta ele presenciou a queda de um avião em meio a vastidão da floresta
e logo ele corre até o local na esperança de encontrar algum sobrevivente em
meio aos destroços, logo ele avista uma linda jovem desesperada chamando por
sua mãe imóvel, ele então se aproxima dela com calma pra ela não se assustar,
ela por sua vez estava tão preocupada com sua mãe que no momento em que ela o
avista, ela coloca seu medo de lado e implora por ajuda, o jovem Rudá então se
aproxima da mãe da moça e percebendo que ela só havia perdido a consciência, começa
a pensar em como retira-las dali. percebendo que fogo começava a se espalhar
bloqueando o lugar por onde ele havia entrado, ele se vê numa situação difícil
pois não havia saída, então como ele iria retirar as duas daquele avião em
chamas. vendo o fogo se aproximar das mulheres e o pânico no rosto daquela
jovem, Rudá então caminha em direção as chamas, a jovem sem entender o que ele
estava fazendo tenta correr ate ele mas o machucado em sua perna a impede,
então ela assiste enquanto o corpo pequeno daquele jovem mudava de forma para
uma criatura enorme. Rudá atravessa o fogo com dificuldade e com parte de seu
pelo em chamas o tigre branco começa a rugir para os céus, que logo o respondem
com nuvens carregadas e ventos fortes, fortes raios começam a cruzar os céus
mostrando a fúria da tempestade que logo começa a cair, os rugidos foram tão
altos que todos na aldeia a quilômetros de distância foram capazes de ouvir. más
o que para eles eram rugidos de uma fera, para mim eram um pedido de ajuda,
então eu logo corri para averiguar o que faria um enorme e forte bárbaro pedir
minha ajuda e chegando ao local me deparo com a fúria de um tigre tentando
proteger duas pessoas em um avião em chamas. Em qualquer situação a forte chuva
teria acabado com as chamas, más o combustível que vazava do avião não deixava
o fogo se apagar. Minha armadura por outro lado, possuía controle sobre as
chamas e assim que eu adentrei nas chamas pude controla-las e extingui-las. Foi
então que percebi o tigre com o corpo parcialmente queimado. Ficou claro para
mim que ele morreria queimado antes de deixar algo acontecer com as duas,
segurei a mãe da menina enquanto o tigre pegava a jovem nos braços, saindo do
avião eu lentamente começo a voar devagar para não piorar o estado da mãe da
garota, o Rudá vinha com a garota nos braços pelo meio da floresta. Ao chegar
na aldeia percebi que todos me esperavam aflitos sem entender o que estava
acontecendo, de longe eles podiam ver que eu trazia alguém nos braços, logo que
cheguei todos se assustaram ao ver uma mulher inconsciente e muito ferida, a
jovem princesa correu ate nos e abriu suas asas na intenção de curar a mulher,
eu rapidamente sai do lugar e voltei para encontrar o Rudá. Seus machucados o
impediam de correr e a forte chuva o atrapalhava, já que ele estava com uma
garota em seus braços. Assim que cheguei junto a ele percebi em seus olhos o
que ele queria, sua vontade de proteger aquela garota era tão forte que eu
percebia isso em seus olhos. Levei então a garota para a aldeia, a mãe dela já
estava curada de seus ferimentos, más não havia acordado ainda, a jovem com
ajuda das índias vai ate sua mãe e chorando a abraça. Enquanto isso o tigre surge
da floresta em um salto magnifico e um pouso sem sucesso no meio da aldeia
assustando a todos o enorme tigre vai ao chão desmaiado, o esforço e os
ferimentos o deixaram exausto, a jovem princesa corre desesperada ate ele
enquanto abre suas asas sobre o corpo do tigre caído, enquanto o brilho dourado
de suas asas curam o corpo do tigre eu percebo que lágrimas caiam de seu rosto,
eu logo percebi algo estranho, ela continuava tentando cura-lo mesmo depois de
seu corpo estar totalmente restaurado, logo percebi seu rosto ficando pálido e
percebi que ela não iria parar ate que ele acordasse, retirei ela de lá e logo
Rudá abriu seus olhos, a jovem que ele havia salvado correu para abraça-lo em agradecimento,
agora ela não sentia mais medo da enorme fera diante de seus olhos, depois de o
ver quase morrer lutando contra o fogo para salva-la seu medo deu lugar a outro
sentimento e agora ela se sentia segura perto daquela fera. A jovem princesa
por outro lado, ao ver o tigre quase morto não dormiu aquela noite, aquela
noite ela chorou como nunca a vi chorar antes, ficou claro pra mim que as
lembranças de seu passado a atormentavam.
Capítulo 4 - Pequeno Sol
A mãe da jovem acordou hoje, assustada por estas
em uma cabana de palha cercada por nativos indígenas, as mulheres da tribo
tentam acalma-la sem muito sucesso já que não falam a mesma língua e logo sua
filha entra correndo e a abraça, sua mãe ainda tentando entender, se lembra do
acidente e abraça sua filha enquanto as duas choram de felicidade por estarem
vivas, então sua mãe assustada pergunta se ela havia falado com seu avô, ao ver
sua filha responder que não havia nem lembrado de pegar o celular no avião, sua
mãe se acalma e começa a lhe contar uma história, a jovem tenta mudar de
assunto más sua mãe lhe traz de volta com uma curta frase. – Seu pai está vivo.
Foi o bastante para deixar a jovem sem reação. Então
sua mãe continuou lhe dizendo que há muito tempo na China existia uma lenda
sobre um linhagem de guerreiros com o dom de invocar um poderoso ser místico,
ao longo dos anos acreditou-se que o espirito desse ser místico foi vinculado
há uma linhagem de guerreiros que deveriam a qualquer custo manter segredo
sobre sua história, pois a humanidade queria usar os poderes daquele ser
místico para o mal, esses guerreiros e tudo o que se sabiam sobre eles ficou
perdido no passado. A jovem Xiuying questiona sua mãe, afinal o que isso teria
a ver com seu pai estar vivo e a mãe da jovem pede para que ela espere e escute
atentamente pois seu avô acreditava que nos últimos 90 anos seu pai Shoi-Ming
foi o guerreiro incumbido dessa missão, seu dever era viver entre os homens e
manter a alma do Dragão segura. Sua missão estava segura até que ele conheceu
sua mãe, uma jovem graciosa que logo conquistou o coração de Shoi-Ming, o tempo
passou e desse amor nasceu uma linda jovem, Xiuying, tão linda quanto a mãe e
tão determinada quanto seu pai. Os três viviam felizes até que o inesperado
aconteceu, uma noite sua família sobreviveu a um acidente de uma forma um tanto
quanto misteriosa, um motorista bêbado os atingiu de forma violenta jogando seu
carro para fora da estrada, temendo pelo pior a alma do dragão interveio
envolvendo o carro e impedindo que a família se machucasse. Enquanto Lian
segurava sua filha nos braços assustada ela notou algo em Shoi-Ming, seus olhos
e suas mãos estavam emitindo um brilho amarelo e logo se formou uma criatura de
fogo fora do carro, seu corpo envolveu o exterior do veículo reduzindo os
impactos enquanto reduzia a velocidade ao descer suavemente o enorme barranco.
Os acontecimentos dessa noite logo chamaram a atenção indesejada do pai de lian
que logo se viu obcecado por descobrir o que havia acontecido aquela noite. Com
muito tempo e estudo ele chegou a uma antiga lenda que se encaixava exatamente
com a descrição feita por Lian, o que aguçou a ambição do velho em ter o
domínio da alma do dragão, chegando ao ponto de prender Shoi sob a ameaça de
machucar sua filha e neta.
Xiuying cresceu sem saber de seu pai e Lian
passou anos acreditando que seu marido a havia deixado depois do acidente.
Enquanto isso Shoi passou anos preso sendo continuamente torturado para revelar
os segredos a ele confiados, Lian não sabia se o que ela havia visto aquela
noite era real ou se foi sua imaginação, e não sabia porquê Shoi não havia se
libertado se ele realmente fosse tão poderoso quanto seu pai afirmava que ele
era, ou se seu pai avia ameaçado machucar sua filha o fazendo assim ficar
submisso a sua vontade.
O que ela sabia de certeza era que um dia
enquanto esperava para ver seu pai, lian escutou o nome se seu amado e ao
aproximar-se da sala de seu pai ela escutou uma conversa e acabou por descobrir
quem realmente era seu pai, em um ato desesperado Lian entra porta a dentro no
escritório de seu pai na esperança de confronta-lo, o Velho então conta tudo a
ela sobre a lenda, a alma do dragão, tenta convence-la de ficar ao seu lado,
mostra-la as vantagens de dominar tal poder.
Foi então que ela percebe que o preço que Shoi
pagou por salvar sua família foi ficar preso e ser torturado por anos. Enquanto
isso seu pai lhe ameaçava tirar sua filha se Lian fizesse algo estúpido, seu pai
estava obcecado com essa lenda que ate agora Lian não acreditava ser real, más
seu pai estava diferente, a ganancia o havia corrompido, ele estava cego ao
ponto de ameaçar sua própria família para conseguir o que queria, ela abaixa a
cabeça fingindo concordar com seu pai, temendo que ele fosse capaz de cumprir a
ameaça.
Saindo da casa de seu pai, Lian decide que
precisa fugir o mais rápido possível e vai pedir ajuda a um amigo de infância
eles bolam um plano para que as duas desaparecessem sem deixar rastros, seu
amigo a aconselha a fingir seguir as regras do seu pai até que ele consiga
arrumar tudo pra tirar as duas da China. Por meses Lian fingiu estar feliz
escondendo a dor de saber toda a verdade sobre seu pai, passou a ficar todo o
tempo junto de Xiuying, agora ela quem a levava para todos os lugares,
aproveitando brechas para fazer compras e guardar suprimentos e roupas novas na
casa de seu amigo Jing, se preparando para o dia da viagem. Jing então conseguiu
um avião particular para levar as duas em segurança para outro país, por ironia
do destino um amigo de Jing queria ajudar e estava morando no Brasil, eles
decidiram que seria um ótimo ponto pra recomeçar, antes mesmo que alguém
pudesse perceber Lian e Xiuying saem do país sem nenhum problema, Lian
respirava aliviada por estarem indo para longe.
Lian então temendo que Xiuying entre em contato
com seu avô começa a chorar abraçando sua filha dizendo que seu pai havia dito
que se ela fizesse algo para atrapalhar seus planos nunca mais veria sua filha.
Xiuying depois de ouvir tudo aquilo ainda sem querer acreditar, Xiuying deixa
sua mãe sozinha e entra correndo na floresta, por um tempo ela correu sem rumo
ate chegar na beira de um barranco, metros a baixo um lindo rio corria e ao
olhar para o lado uma figura familiar chamou sua atenção, o jovem Rudá estava
sentado numa pedra admirando a paisagem. Xiuying havia encontrado seu local
secreto, o lugar para onde o jovem Rudá sempre fugia, por se sentir segura ao
lado dele ela vai ate ele e o abraça, o jovem sem entender o motivo do abraço
se assusta, mas retribui logo em seguida ao perceber que ela estava chorando
ele da um beijo em seu rosto e fica em silencio, a noite caiu Xiuying dormiu
abraçada a Rudá naquela pedra, sob a luz das estrelas.
Na aldeia Lian esperava desesperada por sua filha
e logo o Cacique vem a ela lhe dizendo para não se preocupar pois o jovem Rudá
também não estava na aldeia, e como o pequeno se preocupava muito com a jovem garota,
ele sabia que ela estaria segura. Lian então se acalma e volta para a cabana. mas
so uma mãe sabe o que se passa em seu coração e aquela noite Lian não dormiu
esperando por sua filha. Ao nascer daquele dia Xiuying acordou abraçada ao
jovem Rudá no alto de uma pedra, o canto dos pássaros silvestres alegrando o
nascer do sol frente a paisagem mais bela que seus olhos já viram, naquele
momento ela estava feliz como nunca havia estado antes.
Capitulo 5 – Despertar
Os dias se passaram na
aldeia e todos estavam felizes, Rudá passava cada vez mais tempo com Xiuying em
meio a floresta e a jovem princesa brincava e se divertia junto aos índios
naquele magnifico pedacinho do paraíso, eu por outro lado estava preocupado com
uma coisa que me incomodava bastante, o primeiro cavaleiro foi despertado em
meio a um massacre no meio de uma imensa floresta, a princesa esta sem seus
poderes e portanto esta indefesa, o que eu deveria fazer quando o próximo
cavaleiro despertasse, se os madeireiros atacassem a vila enquanto eu estivesse
fora, o jovem Rudá com certeza morreria para proteger seu povo e a princesa,
más isso não seria o bastante, eu precisava de uma certeza maior de que ela
ficaria bem e protegida. Quanto mais eu me preocupava com isso mais distante eu
ficava, esse instinto protetor estava crescendo em mim de uma forma que eu não
podia controlar, desde que o Rudá despertou como cavaleiro, era como se um
instinto animal também houvesse despertado dentro de mim, uma vontade
avassaladora de manter todos protegidos e com isso uma raiva enorme tomava
conta de mim quando sentia que algo ou alguém poderia ser uma ameaça a
segurança dela, eu não sabia as consequências que isso poderia ter e mais uma
vez eu me vi com medo. a pior parte de quando seus medos ganham vida e se
tornam reais, é que você sempre vai ter algo a perder e nunca saberá como lhe
dar com isso.
Enquanto eu viajava em
meus pensamentos e preocupações algo inesperado aconteceu, eu percebi a jovem
Tayla correndo em minha direção enquanto pedia pela minha ajuda, ela dizia que
algo estranho estava acontecendo más ela não sabia explicar. E foi ai que
aconteceu, ao se aproximar de mim a esfera onde seu poder havia sido depositado
começa a brilhar intensamente, um brilho azul intenso e logo ela começa a
levitar, as nuvens escurecem os céus e ventos fortes começam a varrer a
floresta em todas as direções, raios caem do céu sobre a esfera a fazendo
brilhar ainda mais os índios preocupados começam a se proteger enquanto sua
curiosidade ainda os mantém observando de longe. então ela dispara algo em mim,
com a força do impacto eu fui arremessado a quilômetros de distância, depois
disso a esfera volta ao seu normal parando de brilhar e caindo imóvel no chão,
as nuvens no céu se acalmam e começam a se dispersar lentamente.
Eu por outro lado, havia
levado a maior porrada da minha vida, o mais estranho foi que enquanto eu era
jogado pra longe, minha mente foi levada ao mesmo lugar onde conheci o guardião
de Tayla, o mesmo lugar escuro envolto pela mesma névoa negra. Más se o
guardião da princesa havia deixado a armadura, quem havia me levado de volta a
esse lugar. foi então que eu me deparei com dois pares de olhos me encarando em
meio a névoa, um par de olhos verdes e outro de olhos azuis, duas criaturas que
se aproximavam de mim e logo revelavam suas verdadeiras formas, uma mulher com
seu corpo em chamas verdes andando ao meu redor e um homem feito de energia
caminhando em minha direção, logo os dois pararam em minha frente e o homem
começou a me explicar que a guerra que devastou o mundo da Jovem Tayla era
somente o início, o ser que estava por trás de tudo era uma criatura tão antiga
quanto eles, eles eram criaturas de tamanhos colossais em comparação com um ser
humano, nos primórdios do universo uma guerra devastou seu lar, a explosão foi
tão grande que o lugar foi totalmente destruído, a força e o eco da explosão
ainda podem ser ouvido por eles. Hoje o que sobrou do lugar acabou formando
galáxias e estrelas, planetas e novas pequenas formas de vida que de uma forma
encantadora lhes dão orgulho, são como seus filhos. Os seres remanescentes da
grande explosão vivem dentro de estrelas por entenderem que no novo universo
não há lugar para criaturas colossais como elas, o sistema solar de onde a
jovem Tayla veio abrigava duas estrelas, uma gigante verde e uma pulsar azul,
em orbita junto a elas havia um lindo planeta cheio de vida onde seus filhos
foram agraciados com dois presentes, da ave de fogo eles ganharam uma pena de
aço negro, e do tigre de energia ganharam uma garra de cristal. Com o passar
dos anos os seres daquele mundo evoluíram e surpreenderam os dois com a forma
como evoluíram e como agiam. de um lado junto a pena de aço, os guardiões
ergueram seu império espalhando a paz e ajudando quem precisava de apoio, do
outro lado, animais que evoluíram junto a garra de cristal se tornaram grandes
bárbaros guerreiros, imponentes, bondosos e benevolentes, várias outras raças
também evoluíram nesse mudo, mas como nenhuma felicidade é eterna eles sentiram
o mal que se aproximava e como um recado a um dos guardiões sugeriram usar a
pena de aço negro para criar uma armadura para um guerreiro escolhido por eles,
esse guerreiro seria capaz de ter uma fração do poder de um dos seres antigos,
deveria ser o bastante para defender seu povo de quaisquer ameaça que viesse ao
seu mundo.
Nesse ponto da historia o homem feito energia me
diz que preciso acordar, eu sem entender abro meus olhos e me deparo com algo
estranho, eu estava olhando pra mim mesmo, mas os olhos que me olhavam de volta
tinham um algo a mais, não era como se fosse eu, era como uma parte de mim que
eu tentava manter presa dentro de mim, o mais fundo possível, aquele era o
olhar do cara que se jogou de uma ponte meses antes, a porrada que recebi de
alguma forma me dividiu em dois, eu não entendia no começo como ou porque
aquilo estava acontecendo más logo a jovem Tayla chegou junto a mim e surpresa
ela começa a me contar de uma lenda que havia em seu povo, os guardiões tinham
um propósito em sua existência, encontrar sua alma gêmea e quando encontravam
conseguiam unir seus corpos em um ser de luz muito poderoso, más a lenda dizia
que no passado um guardião solitário que não havia encontrado uma alma gêmea
conseguiu a proeza de dividir sua alma e seu corpo se tornando dois indivíduos
iguais em aparência más diferentes em poderes e personalidades. meu gêmeo então
a interrompe me dizendo. – Eu sou você, ou melhor uma parte de você, os antigos
ouviram seu pedido e decidiram lhe dar um presente, nossa alma agora está
dividida entre mim e você. você, ganhou a chance que queria em seu interior, a
chance de proteger a princesa mesmo você estando longe, eu estarei perto para
protege-la você tem os poderes da pena negra de Kyevora, a Fênix Esmeralda, eu
tenho o poder da garra de cristal de Atalantum o Tigre de Plasma, eu tenho seu
lado emocional e todo o seu apego com o passado, você por outro lado, está
livre para começar uma nova vida, vai precisar redescobrir seus sentimentos e
tudo o que vem com eles, eu por outro lado, vou precisar aprender a controlar
os seus que agora são meus. Estarei sempre aqui, se precisar de mim.
O presente dos antigos, veio a ser de grande
ajuda, eu fiquei com a razão e meu gêmeo, com minhas emoções, ficou mais fácil
pra mim manter o controle já que eu conseguia pensar com clareza em qualquer
situação. Pra ele, logo depois que conversamos ficou impossível, como havia
acabado de nascer, ele não tinha ideia da carga emocional que receberia, logo
as coisas em sua mente saíram do controle e com isso seus poderes logo estavam
causando um forte temporal. logo eu descobriria que pelo fato de sua fonte de
poder ser a Garra de Cristal os poderes do Rudá também estavam sairiam de seu controle,
logo ele também começou se descontrolar, seus rugidos estavam atraindo raios
para perto da tribo, de alguma forma os dois estavam conectados e isso foi
necessário manter os dois longe da tribo até que retomassem o controle de seus
poderes.
Passavam-se os dias e Tayla ainda tentava compreender o motivo de eu ter ficado
tão frio, pra ela, eu parecia não ter mais vida, parecia ser uma casca vazia,
agora sem sentimentos eu não sabia mais como demonstrar afeto, carinho,
gratidão ou qualquer outra coisa, más ainda estava presente todas as noites
para que ela dormisse sob a proteção de minhas asas, mas eu via em seus olhos
que não era como antes, era como se a falta dos meus sentimentos, pra ela fosse
como perder algo importante, mas ao mesmo tempo ela ainda tentasse despertar
esse meu lado. Um mês havia se passado e meu Gêmeo e o Rudá ainda estavam no
alto daquela montanha, cercador por nuvens e uma forte tempestade que já durava
semanas. Eu me perguntava quanto tempo eles ficariam lá, o que estaria
acontecendo com aqueles dois. as vezes eu passava horas observando a montanha
esperando ver um deles descer, más cada dia essa espera era em vão.
Logo algo chama minha atenção, alguns
índios de
outra tribo apareceram com medo em seus olhos pedindo pela proteção do
grande espírito da selva, pois sua aldeia estava em perigo, os
madeireiros haviam
voltado a atacar os povos inocentes, na ausência do tigre, eu resolvi
intervir,
era o certo a se fazer. Então os índios que chegaram testemunharam a
armadura
surgindo em meu corpo, minhas asas se abrindo e logo eu estava subindo
aos
céus, longe dali eu percebi muita fumaça numa região da floresta e
rapidamente
fui ate lá. O estrondo da velocidade com que fui ate lá varria a
floresta por
onde eu passava e ao chegar no local me deparei com mais uma cena de
carnificina, dessa vez não eram simples madeireiros, agora eram
mercenários
armados que não hesitaram em atirar em mim com tudo o que tinham ao me
ver
chegar, a maior parte daquele povo havia morrido ante mesmo que pudessem
fazer
alguma coisa, homens, mulheres e crianças mortos simplesmente pela
ganancia de
algumas pessoas. Eu por outro lado, eu não estava com raiva por mais que
eu
quisesse, más matei cada um daqueles mercenários, suas balas, gritos ou
apelos
não faziam diferença pra mim. Eu não sentia remorsos, culpa ou pena
deles pelo
que eu os estava fazendo. Pela lógica eles mereciam aquilo. Logo eu fui
ate os
madeireiros mais próximos, eles não haviam machucado ninguém dessa vez,
então
joguei os corpos dos mercenários e os dei um aviso, aquela floresta era
minha
agora e pra cada índio inocente que morresse pelas mãos de um
madeireiro, eu
mataria um grupo inteiro de madeireiros e destruiria tudo ao seu redor,
então
ordenei que eles deixassem todos os equipamentos e fossem embora a pé.
Ainda
relutantes em fazerem o que lhes foi dito, eu comecei a destruição,
enquanto eu
andava pelo lugar as correntes da armadura destruíam tudo de motosserras
a
tratores, de caminhões carregados de toras a carros que poderiam ser
usados pra
irem embora. Quando não havia mais nada eu retornei para a aldeia. Fui
recebido
com gratidão e medo pelo povo. Estavam gratos por eu ter ajudado,
eliminado o
mal pela raiz, más ao mesmo tempo tinham medo e estavam assustados pois
eu estava
diferente, eu tinha um vazio nos olhos como se pra mim nada mais fizesse
diferença. Más existia apenas uma. Eu tinha que proteger aquela garota.
Não
importava o que acontecesse, ela devia estar em segurança.
Eu a manteria em segurança.
Capitulo 6 – Renascimento
Quarenta e cinco dias depois da tempestade ter
início eu vejo alguém descendo a montanha, uma figura conhecida emergia dentre
as nuvens daquela tormenta, os ventos daquela tempestade sacudiam seu longo
pelo branco, o filhote havia crescido, agora o bárbaro branco tinha três metros
de altura, seus passos decididos me faziam crer que muita coisa havia mudado
naquele jovem índio, o pequeno que tinha medo de perder o controle parecia ter
controle absoluto agora. a medida que ele se aproximava, seu corpo aos poucos
ia se transformando novamente em humano e logo vem a surpresa, o jovem índio
havia crescido, aparentando agora ter seus vinte e cinco anos o jovem agora
chega na aldeia muito diferente de quando havia subido a montanha, seus olhos
antes alaranjados agora estavam azuis, sua personalidade havia mudado muito
pouco, ele ainda não era de conversar muito, seus olhos tímidos ainda olhavam
para muitos de sua tribo com desconfiança, como se ele não se sentisse bem em
estar ali, mas logo o vazio em seus olhos é preenchido por um brilho um tanto
peculiar, eu já imaginava o motivo desse brilho, motivo esse que se revelou eu
uma bela jovem chinesa correndo em sua direção. não se importando com as
mudanças que haviam ocorrido com o jovem Rudá, Xiuying logo o abraça chorando,
ela se sentia sozinha sem seu companheiro e protetor. Ele então se aproxima do
Pajé se ajoelha em sua frente e logo o Pajé se ajoelha também, alisando seu
rosto enquanto dizia a todos da tribo. – Hoje é um dia para se festejar, nosso
amado filho, nosso amado protetor retornou. A pequena criança que um dia
mostrou a todos que tinha dentro de se a alma de um grande guerreiro, hoje está
completa, hoje tornou-se o homem que estava predestinado a ser. Hoje meu filho,
festejaremos em sua homenagem, festejaremos ao futuro de nosso povo e aos novos
amigos que temos em nossa família.
Os dois então se abraçaram e enquanto o Pajé
chorava emocionado, Rudá lutava para esconder suas lágrimas. os índios logo
começaram a cantar e dançar ao seu redor, enquanto os recém chegados ainda
tentavam entender quem era aquele por quem todos festejavam.
Rudá logo vem até mim, deixando tudo de lado, ele
começa e me contar que minha outra metade havia perdido o controle de seus
sentimentos e logo também de seu poder, por haver acabado de nascer e não
compreender a enxurrada de memórias e sentimentos que ele havia herdado de mim,
ele estava sofrendo mil vezes mais e seus instintos bárbaros só faziam tudo
piorar, logo por partilharem da mesma fonte de poder, Rudá também estava
sofrendo junto com ele, a garra de cristal uniu os dois de uma forma que ele
podia sentir o que a minha outra metade sentia, grande parte do tempo em que
eles estavam lá no alto da montanha, o Rudá não conseguia se controlar, para
ele era insuportável e eu não imaginar como é para minha outra metade, tudo
pelo que eu havia passado, todo aquele meu sofrimento. Passar por tudo aquilo
ao longo dos anos já havia sido difícil para mim como um simples humano, para
ele, recém-nascido e com poderes além da compreensão, deve ser um pesadelo
completo.
Enquanto conversávamos eu aos poucos percebia o
olhar de uma certa jovem que não parava de olhar para Rudá, aos poucos ele
também começou a se perder da conversa e logo os dois haviam esquecido de todos
a sua volta, Xiuying caminha em nossa direção enquanto Rudá logo se levanta e
começa a olhar para mim um pouco inquieto,
acho que por ter me jurado sua lealdade ele sentia que precisava da
minha permissão para sair da conversa, então num breve aceno de cabeça eu mando
ele seguir seu caminho e Ignorando todos a sua volta os dois se aproximam, era
fácil de ver em seus olhos a emoção de reencontrar alguém que se ama. por um
momento o silencio reinou enquanto suas mãos se encontravam, nenhuma palavra
precisou ser dita pois tudo estava escrito em seus olhos, a saudade entre os
dois falou mais alto e antes que percebessem um beijo unia o casal. A paixão
entre eles logo tomou conta de todos na aldeia e aquela noite de festa ficava
ainda mais alegre, todos cantavam e festejavam a volta do Rudá, a união de dois
jovens, o amor entre eles. Aquela noite os dois se uniram em matrimônio, suas
diferenças foram postas de lado em nome do amor que os unia e frente a tribo
Rudá, o Jovem índio mestiço tomava Xiuying para se como sua parceira pelo resto
de suas vidas.
Aquela noite vendo sentimento entre os dois algo
estranho aconteceu dentro de mim e uma lágrima percorreu meu rosto, estaria eu
feliz pelo casal ou triste por não poder viver algo assim. eu que havia passado
minha vida inteira sonhando em viver um momento assim. Eu não sabia o que
estava acontecendo comigo, afinal aquela separação de alma havia retirado meus
sentimentos, então, o que eu estava sentindo agora. e logo essa dúvida foi
quebrada ao sentir alguém apertando a minha mão, Tayla estava sentada ao meu
lado e segurando a minha mão, ao mesmo tempo em que eu a sentia feliz ao ver o
jovem casal dançando em volta da fogueira, ela me olhava com carinho e
admiração. Logo seu rosto ficou vermelho ao perceber que estava segurando minha
mão. Tímida ela tenta esconder e se mostra ainda mais fofa. Eu mesmo privado de
sentimentos não conseguia descrever o que eu sentia, meu coração estava acelerando
aos poucos, eu estava sentindo falta de ar. Temendo perder o controle e pôr em
risco a segurança de todos eu me afastei e fui para beira do rio tentar me
acalmar e pôr os pensamentos em ordem, alguns minutos depois, quando tudo
estava quase bem ela me encontra e preocupada comigo ela reluta em se
aproximar, más aos poucos sua mão toca as minhas e logo aquela sensação
retorna, estava claro pra mim que mesmo privado de sentimentos eu sentia algo
por ela, aquela noite somente sua presença já era o bastante pra mim, então
ficamos ali sentados admirando a noite.
Os dias passavam e eu sentia o Rudá mais leve e
feliz, como se o peso do lado animal houvesse de alguma forma desaparecido. A
verdade ele veio a me contar um tempo depois, o tempo que ele passou na
montanha, ele e seu lado animal se tornaram um, antes ele brigava para ficar no
controle, seu lado animal era dominador, sempre com vontade e desejo de atacar,
ele sentia como se a qualquer momento ele fosse arrancar a cabeça de alguém,
agora ele não tinha mais essas preocupações, suas duas metades haviam se unido
e ele só precisava viver, algo que eu precisava aprender também.
Capitulo 7 –Sangue nos Olhos
Na manhã daquele dia, antes que eu tivesse chance
de pensar em qualquer coisa sobre o que havia acontecido entre nós, algo me
puxou pra de volta pra uma realidade que eu gostaria de esquecer, um cristal
vermelho começa a brilhar intensamente e nos olhos da princesa eu percebo o
medo por saber que o pesadelo continuava. Sem esperar por ninguém o pequeno
cristal sai rapidamente deixando um rastro de luz vermelha pelo céu. Eu,
temendo mais uma cena de massacre peço para a princesa me esperar na aldeia e
logo sigo atrás do cristal, dessa vez a distância não era mais tão curta e foi
difícil alcança-lo, eu nunca havia voado tão rápido em toda minha vida e logo
me deparo com uma cena perturbadora, o cristal foi em direção a uma ponte onde
um homem rastejava para fora de um carro em chamas, chamas essas que estavam vindo
de um caminhão de combustível tombado.
Rapidamente o envolvi dentre minhas asas para
protege-lo da explosão enquanto levo o cristal em direção ao seu peito. Ao tentar
retirar minha mão eu sinto um leve puxão no meu braço e percebo que o cristal
antes de se dissolver em seu peito estava puxando parte do aço negro da minha
armadura e reconstruindo o corpo daquele homem. Que logo levantou se
desculpando. – Lorde Smyllodon, Perdoe minha insolência más este humano
morreria sem essa ajuda, eu sou Slakinir Varinir, décimo primeiro primogênito
da linhagem primordial dos Acrinkianons. Eu era para meu povo o que você
chamaria de príncipe más não tínhamos tais títulos, más como Filho do líder do
meu povo eu fui escolhido para ser um de seus generais. Eu tinha muito para
contar-lhe e muito para ensinar ao meu escolhido, más terei que libera-lo agora,
vocês precisam correr pois a filha do meu escolhido foi levada e em nenhuma
guerra a família de alguém deve ser envolvida, os covardes devem pagar com suas
vidas pelo que fizeram. Me despeço com orgulho sabendo que deixo um soldado
digno para ajudar-lhe na batalha por vir.
Dito isso Slakinir deixa a consciência do homem
voltar a seu corpo, ainda sem entender o que aconteceu pois para ele estava
tudo muito vago em sua mente, pelo pouco tempo dentre as memórias de Slakinir
aquele homem só havia visto flashs de sua memória e estava muito confuso sobre
tudo, eu seguro em seu braço na intenção de acalma-lo e lhe fazer manter o foco
enquanto lhe faço lembrar que sua filha precisava dele agora, eu abro minhas
asas seguro sua mão e voamos na direção em que levaram sua filha, a frente
encontramos quatro carros pretos em alta velocidade, nos aproximamos
rapidamente enquanto o homem se preparava, eu podia sentir sua raiva sob
controle, por mais rápido e alto que estivéssemos voando, ele tinha colocado
seu medo de lado, seu único foco era resgatar sua filha. Enquanto nos aproximávamos
dos veículos ele se soltou sobre o capô do primeiro caro ao perceber que sua
filha não estava naquele carro, ele arranca o volante e pula para o próximo
carro. O primeiro carro perde o controle e capota violentamente várias vezes
enquanto os outros param e homens armados saem deles prontos para atirarem, eu intervenho
parando em sua frente antes que os homens comecem a atirar, pois vendo que
muito do corpo de Robson não estava protegido pelo aço negro, ele seria um alvo
fácil. Os homens a nossa volta começaram a atirar em mim, más suas balas não
conseguiam atravessar as asas da armadura. Enquanto nos olhamos pensando no que
fazer uma voz é abafada enquanto tenta gritar por socorro, ao olhar para traz
vejo uma jovem sendo feita de refém e tendo uma arma apontada para sua cabeça.
Antes mesmo que o homem a minha frente pudesse ter alguma reação, uma das
correntes da armadura rasteja por baixo dos carros passando por traz do homem
que mantinha a garota como refém, ela se ergue por trás dele decepando o braço
do homem que segurava a arma e o bandido cai no chão gritando de dor enquanto
os outros tentam entender o que aconteceu. A corrente então puxa a jovem pelo
braço a levando por traz de um dos carros enquanto os bandidos atiram, eu me ponho
entre eles e a garota no intuito de lhe servir de escudo enquanto seu pai dá um
fim nos bandidos. Ao olhar em meus olhos percebo a garota tremer de medo, eu a
abraço enquanto lhe digo que eu estava junto com seu pai e agora ficaria tudo
bem, ela então fecha os olhos e me abraça o mais forte que podia. Seu pai logo
vem em até nós e ao se aproximar a jovem fica ainda mais assustada, a visão que
ela tinha de seu pai agora era assustadora, ele não era mais o mesmo, partes de
seu corpo agora eram metal, suas pernas, parte de seu abdômen, partes de seus
braços e suas costas agora eram feitos de aço. A jovem ainda em choque tentando
aceitar o que houve com seu pai enquanto ele explica que logo que foram
atacados, e seu carro virou, pouco depois que a levaram o carro começou a pegar
fogo, ele e sua mãe ainda estavam presos no veículo, os bandidos fugiam
enquanto riam dos dois e diziam que ele merecia o que estava recebendo e um
deles chegou em seu ouvido e lhe disse que o Edgar mandava lembranças e que
cuidaria de sua filha de agora em diante.
O último pedido de sua esposa para ele foi para
que salvasse a vida de sua filha, ele havia usado todas as suas forças para
rastejar para fora do carro em chamas enquanto seu próprio corpo queimava,
mesmo incapacitado ele rastejava. Eu me pergunto até onde pode ir o desejo de
um pai por proteger seus filhos. Ele então abraça sua filha chorando, não sei
se de felicidade por tela recuperado ou de tristeza por ter perdido sua esposa,
más sei que a partir de hoje eles não seriam mais os mesmos.
Saímos dali no carro de um dos bandidos e logo
chegamos a uma casa num bairro simples da cidade, a jovem corre chorando para
seu quarto enquanto nós ficamos na sala, por um tempo ninguém falou uma única
palavra, ele estava em quieto, seus olhos fixos num único ponto da sala, ao
virar o rosto percebo que ele olhava para uma foto de sua esposa e filha, na
foto as duas sorriam felizes, ele se levanta e vem ate mim, me agradece e me
diz seu nome e de sua filha, Robson e Isabella, a jovem tinha o mesmo nome de
sua esposa, ele começa a me contar que era um policial de uma força especial
que combatia o crime organizado e seu trabalho era simples, investigar e
combater o crime de uma forma mais profunda, ele e seu pessoal investigavam
para acabar com redes de tráfico, lavagem de dinheiro entre outras coisas, más
sua vida virou um pesadelo após terem atendido um chamado que resultou na morte
do filho de um político importante, o jovem estava no lugar errado e na hora
mais errada possível, a partir daí ele não teve mais sossego, perdeu o emprego
e vivia sob constantes ameaças, a pouco tempo ele e sua família haviam decidido
se mudar, ele havia saído do emprego com a intenção de começar uma vida nova
longe de tudo que aconteceu. Enfim, estavam começando do zero, uma cidade nova,
casa nova, fazia pouco mais de um mês, más pra seu desagrado eles os
encontraram e logo estava começando tudo de novo, más dessa vez eles foram
pegos, pelo fato de Robson não ser mais um policial ficou mais fácil pra eles,
poderiam dizer que foi um assalto que deu errado, não importaria muito pra
ninguém, afinal, vivemos num país violento. logo ele começa a chorar e completa
dizendo que não conseguia nem imaginar o que aconteceria com sua filha se eu
não tivesse o ajudado.
Eu não conseguia nem imaginar a dor que ele
sentia, a sensação de ver sua filha sendo levada por homens armados e sua
mulher morrendo ao seu lado. Aquela noite eu decidi finalizar o que Slakinir
havia começado, muito do corpo de Robson ainda estava desprotegido e ele
precisaria de mais apoio do que eu poderia dar, ele poderia se sair melhor se
tivesse mais apoio e ate onde eu sabia as habilidades dos Acrinkianons envolvia
manipulação de metal, seus corpos eram combinados com metal a nível celular, seus
corpos conseguiam emitir grandes quantidades de energia e com essa energia de
alguma forma eles conseguiam manipular o metal, mudando sua composição, forma e
densidade, eram caçadores habilidosos e tinham a fama de nunca errarem um disparo.
Dessa vez eu precisava explicar as habilidades ao cavaleiro, o que dificultava
ainda mais, já que eu não sabia como fazer isso, eu tinha poucas memórias dos
Acrinkianons, e somente com isso não dava pra saber todas as habilidades que
Robson possuía, então retirando algumas penas da armadura e as colocando frente
a ele, expliquei as habilidades que eu sabia que ele havia herdado e logo ele
começa a tentar pôr tudo em pratica, sua filha que estava ouvindo tudo por trás
da porta decide se juntar a nós dando seu apoio ao seu pai.
Eu expliquei aos dois tudo sobre a guerra que
viria ao nosso mundo, a jovem chora nos braços de seu pai ao pensar que poderia
perde-lo também. Logo algumas batidas na porta chamam nossa atenção, alguém
desesperado está quase derrubando a porta, de repente uma voz desesperada
começa a gritar o nome daquela jovem, os olhos dela começam a brilhar, em meio
a tanta tristeza ao menos um pouco de felicidade, a jovem corre ate a porta e
ao abrir um jovem a abraça e começa a chorar. nos olhos de Robson eu percebo
algo errado que se confirma quando ele se levanta do sofá perguntando ao jovem
como ele os havia encontrado. O jovem então cai de joelhos pedindo perdão, ele
estava sob ameaça, os mesmos homens que perseguiram Robson e sua família
ameaçaram matar a família do jovem se ele não ajudasse a encontrar Robson e sua
família, más agora ele havia fugido, so queria pedir perdão e não queria mais
viver pois ele foi a causa do ataque que levou a vida da mãe da garota que ele
amava, ele não sabia mais o que fazer. Enquanto ele falava, eu ouvia o som de
carros parando em frente a casa. Enquanto Robson e Isabella conversavam com o
jovem em sua sala eu andava ate a porta da casa tentando ouvir o que se passava
na rua. Ao ouvir os sons de homens armados se posicionando eu me viro para os
três posicionando minhas asas como um escudo em volta dos três, sem nenhum
aviso balas começam cruzar a sala destruindo tudo ao meu redor. Eu abri uma
brecha para que eles saíssem em segurança pelos fundos e então eu incinerei
tudo a minha volta, com minhas asas destruí a frente da casa jogando destroços
em chamas sobre os atiradores que logo saíram correndo com aquela visão
aterrorizante de um anjo negro em meio as chamas. Alguns ainda atiravam parar
sem perceber que suas balas não tinham efeito em mim, enquanto eu andava em
direção a eles, alguns não pararam de correr pra longe, outros ficaram em
choque e não conseguiam se mover. frente a frente com quem parecia ser o líder
daquele grupo eu perguntei quem havia mandado eles até ali. O homem tremulo de
medo, não relutou em me dizer tudo e mesmo gaguejando me contou que foram
contratados pelo Edgar para vingarem a morte de seu filho acabando com a vida
de Robson e levando sua filha para ele, a garota deveria ser levada viva como
um troféu, ele queria mantê-la para ele, como uma forma de todos saberem que
não deveriam ir contra a vontade dele. Ficou claro para mim naquele momento que
Edgar não iria parar de tentar fazer mal aquela família. O homem completou me
dizendo que eles não seriam os últimos a tentar captura-los, Edgar havia
colocado uma grande recompensa pra quem levar a filha de Robson até ele.
Ouvindo isso eu deixei que todos fossem embora com um aviso, a jovem estava sob
minha proteção e quem ousasse se aproximar dela iria se ver comigo e não
poderiam fazer nada para me impedir de acabar com cada um deles.
Capitulo 8 – Anjo ou Demonio
Logo o próprio Edgar ficou sabendo sobre mim, ele
não viu me sem a armadura e não sabe quem sou mas as câmeras com aqueles homens
armados naquela noite deram pra ele uma arma contra mim, logo um vídeo foi
vazado na internet e nos jornais, uma casa explodindo e um homem com asas
saindo dentre as chamas. Eu estava sendo taxado como demônio, terrorista, entre
outras coisas, e pra piorar relatos de madeireiros começaram a aparecer,
contando sobre mais uma fera que atacava trabalhadores sem motivos em uma certa
área da floresta amazônica, e os boatos foram ganhando força. As pessoas não
sabiam em que acreditar, alguns achavam que era invenção da mídia e outros
afirmavam que viram tal pessoa voando. é estranho isso me afetar, más de certa
forma, estavam falando de mim, estavam criando uma imagem errada de mim,
enquanto Robson buscava ajuda de seus amigos da polícia, eu mantinha sua filha
e o namorado em segurança.
Não era seguro manter os dois na cidade e a polícia
não podia fazer nada contra Edgar, o cara era intocável um governador que
secretamente tinha ligações com o crime organizado, perdeu seu filho numa
operação da polícia onde por ironia do destino seu filho estava envolvido e em
meio a uma troca de tiros com a polícia, foi baleado pelo policial Robson, que
após receber diversas ameaças anônimas resolveu mudar de cidade para proteger
sua família, pra piorar ainda mais, uma grande recompensa foi colocada sobre a cabeça
dos três e agora nem só mercenários e milicianos estavam a procura dos três,
mas todo e qualquer rato que gostasse de dinheiro, nos jornais foi colocado uma
recompensa menor sobre informações que levassem ao paradeiro dos três, más a
maior recompensa era pra aquele que levasse a garota viva até o Edgar.
E agora esse mesmo homem quer se levantar contra
mim, criando notícias falsas pra sujar minha imagem, não que nesse momento da
minha vida eu tivesse uma, más é ruim a primeira imagem que as pessoas tem de
você ser vinculada a uma rede de mentiras, más era o que tinha pra hoje. Os
dias passavam e aquele home não deixava a notícia morrer toda hora pediam para
o público dar informações se alguém visse o suposto anjo negro em algum lugar.
Isabella a filha de Robson agora insistia para que eu saísse e fizesse alguma
coisa pra mudar a imagem que as pessoas tinham de mim, ela já estava cansada de
ver todos me criticando por algo que não fiz. Não demorou muito para que
começassem a surgir denúncias de que eu estava fazendo diversas coisas ruins
pelo estado sem eu nem ter saído de casa, me culpavam por tudo, de incêndios a
acidentes. más ninguém tinha provas de que realmente tinha sido eu e aos poucos
eu estava virando uma lenda urbana, uma desculpa que todos usavam para
justificar alguma coisa. Em meio a tantos problemas e fofocas uma notícia chama
a atenção de todos para uma forte tempestade que acabava de virar uma
embarcação de cruzeiro, e todos estavam se mobilizando em resgate, logo todos
no recinto olharam para mim, como quem diziam, é a tua chance de provar que
todos estão errados sobre você.
E logo eu estava cruzando os céus em direção ao
oceano, avistando helicópteros e barcos que tentavam ajudar os tripulantes na
água. Eu logo percebi que os que saíram do navio já tinham grande chance de ser
salvos, más com certeza os que não saíram não teriam tanta sorte assim,
mergulhei em busca do navio e o avistei alguns metros abaixo d’água, ainda
afundando. A armadura entra em ação fazendo o que faz de melhor, as correntes
alcançam o navio o envolvendo de forma que ele possa ser erguido com segurança,
as asas se abrem na busca de se incendiarem em baixo da água, aos poucos a água
começa a ferver com sua temperatura. Todos rapidamente começam a se afastar ao
ver a água fervendo e um brilho verde intenso iluminar o fundo do oceano, logo
aquele antes taxado como demônio surge erguendo um navio sobre suas cabeças.
Depois de colocar o navio em um ponto raso eu começo a fazer cortes em seu
casco, a agua em seu interior começa a sair loucamente e com elas algumas
pessoas que estavam presas no interior da embarcação, depois de finalizar os cortes no casco, não
muito que eu pudesse fazer em terra ou no mar, más havia uma coisa que eu sabia
que não seria muito pra mim faze, más para quem buscava sobreviventes seria
crucial naquela noite escura, então eu voei ate a base das nuvens e numa forte
explosão de energia as nuvens se afastaram dando lugar a um céu claro e
estrelado, juntando isso com o brilho verde intenso da armadura, os socorristas
tinham luz o bastante para encontrar os sobreviventes, ao fim de tudo decidi me
retirar, pra não chamar ainda mais atenção.
Ainda assim eu estava sendo chamado de monstro
pela mídia, falsas investigações me apontavam como causador do acidente, o
Edgar estava movendo Céus e terra para que a população me visse como um monstro
e isso era somente o começo, no mundo de hoje a internet dita sua vida, alguém
com dinheiro e influencia pode facilmente virar a sociedade contra um
desconhecido, hoje em dia qualquer boato pode virar realidade dependendo de
quantas pessoas compartilharem a mentira e ele estava usando isso contra mim.
más uma coisa ele não poderia controlar, a verdade sempre surge.
Capitulo 9 – Anjo Negro
Pra
desmascarar o desgraçado do Edgar eu segui uma ideia da Isabela, fiquei
pendurado por minhas correntes em uma avenida movimentada por dias esperando
que algo acontecesse, durante um mês eu apaguei alguns incêndios, evitei
assaltos a bancos, ajudei a cidade de algumas formas e logo eu voltava a ficar
novamente no mesmo lugar, as pessoas passavam, filmavam, tiravam fotos minhas
pendurado na avenida, filmagens das cenas em que eu aparecia ajudando as
pessoas logo tomaram conta da internet e logo as mentiras contadas pelo
governador perderam a força, as pessoas começavam a chamar a mídia de mentirosa
e a população logo ficou dividida, afinal não teria como eu ajudar tantas
pessoas e causar seus próprios acidentes sendo que eu estava parado num único
local. em um dia calmo eu estava quase dormindo quando notei uma fumaça em uma
área nobre da cidade, ao chegar no local, havia um prédio em chamas e percebi
que a maior parte das pessoas já haviam sido retiradas, alguns poucos ainda
estavam presos, o prédio era muito alto e os bombeiros estavam com dificuldades
de controlar as chamas. Foi quando eu a vi, em uma das janelas estava aquela
que um dia eu amei, o amor que eu havia perdido para sempre, ela e um grupo de
pessoas estavam se amontoando em um canto da sala enquanto as chamas começavam
a se espalhar pelo escritório. Eu voei atravessando a janela do prédio,
entrando em meios as chamas e graças a uma das habilidades da armadura que me
permitia controlar o fogo logo ele se extinguiu em minhas mãos. As pessoas
ainda com medo, querendo sair daquele lugar o mais rápido possível, na pressa
acabaram por empurras uns aos outros e duas pessoas foram empurradas pra a
janela que eu havia quebrado ao entrar no prédio, rapidamente consegui puxar
uma antes que caísse, más uma delas caiu, me joguei tentando alcançar aquela
mulher, parecia impossível, mas num impulso das minhas asas eu logo a alcancei
próximos do chão não havia muito o que fazer, a não ser me preparar para o
impacto com o chão. As asas da armadura são de um aço muito forte, denso e leve,
o que ainda assim não me deixa muito leve comparado a um ser humano, enquanto
uma pessoa normal pesa em torno de oitenta quilos, com essa armadura meu peso
chega a quase trezentos, com as mudanças físicas que recebi e o fato da
armadura estar ligada inteiramente ao meu corpo, eu não sinto seu peso, da
mesma forma que a mulher em meus braços, para mim, pesava tanto quanto uma
pena.
Então
abri as asas para desacelerar a queda, comparando com o que eu esperava ate que
foi um pouso suave e eu logo percebi quem estava em meus braços, a mesma mulher
que a quase um ano eu havia deixado se casar com outro homem. Agora ela estava
diferente, ela estava bem, um bom emprego, roupas de grife, nada que eu pudesse
dar a ela, mesmo em meus maiores sonhos. Logo vejo seu marido surgindo em meio
a multidão e parando em minha frente, eu a coloco no chão e antes que falem
algo dou as costas e começo a andar, a multidão começa a se fechar a minha
volta, impedindo que eu conseguisse voar, eu precisava de espaço, logo
repórteres fazendo perguntas e pessoas gritando meu nome era tudo que eu
conseguia escutar, em meio a multidão e ao barulho alguém agarrou firme a minha
mão e tentava me puxar o mais forte que podia, ao me virar eu vejo aquela que
acabei de salvar me olhando com um pouco de medo e ainda tentando me agradecer
por salvar sua vida. Eu aceno com a cabeça e aproveitando que a multidão havia
me dado um pouco de espaço eu pulei o mais alto que eu podia criando a brecha
perfeita para sair dali, uso as correntes para me impulsionar ainda mais alto e
na altura do topo dos prédios eu abro minhas asas e volto para o ponto onde eu
ficava observando a cidade, com a leve sensação de que isso não havia
terminado.
Alguns
dias depois eu recebo um pedido de ajuda, um pouco longe de onde eu estava o
grupamento de Robson havia conseguido encontrar provas que incriminavam o
governador Edgar, mas homens armados os haviam os emboscado, alguns de seus
homens estavam feridos e eles precisavam de ajuda. Eu logo me desloco ate o
lugar voando um pouco devagar enquanto estava sendo seguido por helicópteros da
mídia, desde que eu havia me fixado naquele ponto da cidade a mídia não queria
perder nada que eu fizesse então estavam me vigiando o tempo inteiro, ao chegar
no local as aeronaves se afastavam enquanto eu era recebido a tiros de armas pesadas,
isso ainda não tinha efeito sobre mim, exceto nas partes do meu corpo que a
armadura não protegia. Eu podia contar por volta de trinta homens armados
atirando em mim. Enquanto eu era o alvo os homens de Robson aproveitaram a
situação para derrubar boa parte deles, enquanto eu derrubava outros. Entre os
que sobraram alguns tentaram fugir sem muito sucesso, as habilidades de Robson
estavam melhorando e a cada dia que passava menos tiros ele errava a uma longa
distância, logo mesmo fugindo do local, não dava pra fugir da mira de Robson ou
REP como ele preferia ser chamado agora. os poucos que se renderam logo em
seguida, com medo de morrerem se entregaram e contaram tudo o que sabiam para
os homens de Robson que fez questão que toda as câmeras no local filmassem,
logo o nome de Edgar, citado em rede nacional faz com que todos se questionem
sobre tal governador. Aos poucos a sociedade passava a me ver como um herói e levantam
questões sobre quais histórias contadas sobre mim eram reais. Como as coisas
finalmente estavam melhorando, Edgar sendo preso por diversas acusações.
Entregaram a Robson o comando de um grupo tático especial. E o mundo em fim
sabendo de minha existência.
Tudo
estava quase perfeito exceto que todos nós temos nossos próprios demônios.
Fantasmas do nosso passado que voltam pra nos assombrar, é comum se sentir mal
por isso, só não devemos nos prender e deixar que eles ditem nosso futuro. Eu
sabia que não foi por acaso que ela reapareceu em minha vida, algo me dizia que
havia alguma coisa a mais nisso então uma certa noite eu a vi novamente, seu
marido gritava com ela no meio da rua, como se ela não fosse nada, a briga dos
dois se estendeu até entrarem no carro, preocupado com o que poderia acontecer
eu os segui até um apartamento, no oitavo andar de um edifício de luxo numa
área nobre da cidade, grandes janelas de vidro possibilitavam que eu pudesse
ver, a briga se intensificou, eu podia ver a raiva nos olhos do marido dela,
enquanto eu me perguntava se deveria interferir, ele num ato irracional desfere
um tapa no rosto dela fazendo com que ela caísse no chão da sala, ele então vai
em direção a ela com a mão fechada e antes que ele fizesse alguma coisa, o
prédio inteiro tremeu, assustado ele olha em direção a janela, eu estava na
sacada do seu apartamento, eu havia batido forte contra o prédio para
assusta-lo, então andando em sua direção eu quebro o vidro da porta e
adentrando na sala me sento no sofá, ele sem entender me pergunta o que eu
fazia ali, eu olho para ela e peço que ela se sente. Meu rosto coberto pela
armadura impedia que eles soubessem minha real identidade. Ele assustado
insiste perguntar o que eu fazia ali e como ainda não havia obtido resposta, pega
o telefone e ameaça ligara para a polícia. Eu calmamente lhe digo para ligar,
especificamente para um numero em especial, o numero do grupamento de Robson, e
ele também podia dizer que ele agrediu a esposa e poupar meu tempo de explicar
tudo. Ele então solta o telefone e me pergunta o que eu queria para não fazer
nada em relação ao que eu tinha visto. Eu friamente lhe respondo num tom meio
sarcástico que queria sua cabeça numa bandeja de prata. Antes que algum deles
acreditasse em minhas palavras eu me levanto e caminhando ao redor da sala eu
explico a ele que eu não tinha preço, pois não poderia ser comprado, eu havia
visto a forma como ele estava tratando sua esposa durante o caminho pra casa.
Ele tenta se justificar me explicando que todo relacionamento tem problemas e
que os dois estavam passando por problemas difíceis no momento, mesmo não sendo
motivos para sua agressão, logo ele chega num ponto interessante, ele culpa a
bebida por suas ações, tenta se desculpar me dizendo que se não tivesse bebido
não teria feito o que fez e logo ela vem em defesa dele, tentando justificar a
agressão sofrida, eu já sabia onde isso iria chegar então peço para ele ir até
a sacada do apartamento, olhar para o céu e me dizer o que ele conseguia ver,
ele relutante me diz que dava pra ver a lua e as estrelas. Eu então ando em
direção a ele enquanto digo a ele que da próxima vez que ele levantasse a mão
para bater nela, deveria se lembrar de mim, e finalizei olhando nos olhos dele
e dizendo baixo só para ele ouvir que se eu soubesse que ele bateu nela mais
uma vez, ele seria sepultado na linda lua que ele estava vendo no céu. Os
deixei se resolvendo e fui embora.
Mesmo com
tudo dando certo, eu me sentia incomodado naquele lugar, mesmo que por dentro a
ausência de sentimentos fizesse de mim um cara frio, eu de alguma forma não me
sentia completo, então me despedi de todos e voltei pra casa, a pequena aldeia
no meio da floresta amazônica, o único lugar que eu conseguia chamar de lar.
Capitulo 10 – Seu Olhar
voltando pra tribo fui recebido com um abraço
caloroso de alguém que sentia muito a minha falta, pelo seu sorriso e o brilho
em seus olhos era nítida a felicidade dela ao me ver, enquanto seus braços me
apertavam cada vez mais eu logo escuto uma voz tremula e meio abafada me
perguntando porque demorei tanto pra voltar. Dentro de mim um velho coração
pulava acelerado e eu não entendia o porquê. Aquele abraço era tudo o que eu
precisava nesse momento, a felicidade dela naquele momento era algo de outro
mundo, era como se alguma mudança tivesse acontecido, eu sabia que ela queria
ficar perto de mim porque se eu era algo que lhe conectava com seu mundo, más
eu não esperava tanto carinho assim, a garota tímida que eu havia deixado na
tribo a alguns dias estava mais solta, mais alegre.
Essa noite foi de festa na tribo pois um filho da
tribo havia retornado de sua jornada, eu me sentia cada vez mais estranho,
antes a maioria deles me evitavam e agora festejavam a minha chegada. Para mim
ainda era estranho ver todos felizes e eu não ser capaz de me sentir assim, mas
quando ela estava perto de mim, eu sentia uma pequena faísca se ascender e aos
poucos ela até conseguia arrancar de mim um sorriso ou dois. Ver ela dançando
em volta daquela fogueira aos poucos foi se tornando um momento magico pra mim,
eu não conseguia parar de olhar para ela. Aquele olhar meigo e sorriso lindo
estavam me conquistando sem que eu me desse conta, seu jeito gracioso era como
se ela flutuasse em minha mente tomando conta do meu pensamento e eu aos poucos
sentia a necessidade de estar lá com ela, viver aquele momento a seu lado, más
ainda me faltava alguma coisa, por um instante eu voltei a mim, afinal em que
eu estava pensando, fui escolhido para proteger essa jovem, meus sentimentos
retirados de mim para facilitar minha obrigação.
Logo alguém me trouxe de volta do vazio em meus
pensamentos, um toque em meu ombro me faz olhar para o lado e perceber que
alguém sentou ao meu lado e me dizendo que conhecia aquele olhar o Rudá, me fazia
perceber o óbvio que todos já haviam notado más somente eu era cego o bastante
para não ver e ao olhar a minha volta me dei conta de que todos me olhavam com
um sorriso, estava aparente para todos que algo em mim havia mudado, perto dela
eu não era mais aquele ser frio de antes, perto dela uma outra luz brilhava em
mim e antes que eu tivesse tempo de pensar, o toque suave de alguém segurando
minha mão quebrou meu pensamento mais uma vez, e ao erguer meus olhos, lá
estava ela me puxando pra perto da fogueira, eu naquele momento me sentia como
uma tartaruga querendo se esconder no casco, más não consegui dizer não aqueles
olhos tão lindos. Lá estava eu, um ser desajeitado tentando acompanhar a garota
mais linda da festa. Acho que é cedo pra dizer, más mesmo eu lutando contra
minha natureza que pedia incessantemente para que eu fugisse dali, eu nunca fui
tão feliz em minha vida. Com o passar das horas a maioria já havia ido para
suas cabanas, logo a festa teve fim e nós, não querendo que a noite acabasse
saímos juntos em direção ao rio, aos poucos ela me arrancava sorrisos e
despertava novas emoções sem que eu percebesse ficamos conversando até tarde
junto ao rio e quando ela adormeceu eu retornei com ela nos braços até a tribo,
uma leve chuva se aproximava e ela ficava tão linda enquanto dormia que eu não
queria que ela acordasse. Ao me aproximar da tribo um jovem casal ainda me
esperava acordado, Rudá e Xiuyeng logo me guiaram para uma pequena cabana
decorada com flores de diversas cores, eu não entendi o motivo ate que eles me
disseram que ela começou a fazer e logo a tribo a ajudou, ela queria fazer um
cantinho pra mim quando eu retornasse a tribo. Vendo a beleza daquele lugar eu
podia sentir o carinho que ela empregou em cada detalhe, e aos poucos eu sentia lágrimas descendo em meu rosto.
Quando nos conhecemos ela queria sempre dormir
sobre minhas asas, ela quem buscava minha proteção e agora eu quem me sentia
desprotegido, não me sentia digno do carinho dela, más ao mesmo tempo, me
sentia o homem mais feliz do mundo. Com os problemas que enfrentei na cidade,
eu passei várias noites sem dormir. Sem o brilho de sua estrela mãe a armadura não
se regenera, então eu normalmente fico cansado por dois, quanto mais eu a uso,
mais fico cansado e essa noite para mim foi tão mágica que dormi feito um bebe,
dormi tão bem que não percebi que dormi por dois dias inteiros, me senti tão
bem que esqueci de todos os problemas.
Acordei de um sono bom ao som dos pássaros, isso
deixava a manhã ainda mais alegre, eu logo percebo um colar de flores em volta
do meu pescoço, comidas e frutas ao meu lado. Depois de comer um pouco eu vou até
a porta da cabana e a vejo junto as crianças da tribo, ela e Xiuyeng fizeram
uma espécie de escola em que elas ensinavam aos mais novos sobre a cultura de
seu povo. Enquanto eu continuava parado naquela porta, de alguma forma eu
estava hipnotizado enquanto olhava para ela, o jeito como ela lhe dava com as
crianças que logo começaram a rir quando viram seus olhos encontrar os meus e
um sorriso tímido se formar em seu rosto, ali eu percebi que por mais frio que eu
pudesse ser, por mais fechado que meu coração fosse ou mesmo depois de ter sido
privado de sentimentos por uma divisão de almas que eu ainda não compreendia,
era impressionante como a vida o destino me revelava surpresas impressionantes,
pois depois de tanto sofrer e tentar acabar comigo mesmo, o que eu pensava ser
meu castigo se revelou o maior presente que eu poderia ganhar, um novo
sentimento nascia e crescia dentro de mim e ao mesmo tempo em que eu me sentia
feliz, um medo estranho tomava conta de mim, medo de acordar a qualquer momento
e descobrir que tudo não passa de um sonho.
Depois disso, eu sai para caminhar a beira do
rio, me questionando se seria certo me apaixonar por ela, afinal fui escolhido
para ser seu guardião. Logo me sentei junto a uma pedra e enquanto observava os
peixes lutando contra a correnteza do rio notei uma cabana grande em meio a uma
clareira e o Rudá junto a um grupo de guerreiros de sua tribo, a medida que me
aproximo começo a notar hostilidade de alguns dos presentes e logo o Rudá vem
ate mim explicando que para o bem dos mais jovens ali eu deveria me retirar.
Ele então deixa o ancião da tribo com os jovens e me acompanha de volta a
floresta onde começa a me explicar que minha outra metade tem a capacidade de
fazer com que índios comuns se tornem feras como ele, más somente alguns poucos
da tribo são escolhidos para isso, pois é um processo que precisa de um imenso
alto controle e eles ficam com os instintos sobrecarregados nos primeiros meses
e alguns perdem o controle facilmente, no começo ele era contra fazer isso, más
para o bem do povo e pelo problema imenso que teríamos que enfrentar no futuro,
era o melhor a se fazer, ele não sabia até quando a paz iria durar, e mais
guerreiros como ele significava maior chance de manter todos vivos e seguros,
por mais que ele fosse capaz de dar conta de um grupo, seria difícil pra tribo
sair de um lugar as pressas, dividindo um grupo de bárbaros como ele, enquanto
alguns poderiam ajudar a mover a tribo, outros poderiam ajudar defendendo de
todos os lados, fora que com isso ele decidiu também que nem só essa tribo
deveria ser protegida, más todas as tribos, ninguém mais deveria passar pelo
que eles passaram e ele queria se assegurar disso. Eu concordei com ele desde
que isso não saísse do seu controle, e ele me respondeu que de certa forma, não
sairia do meu controle, já que o único com poder para essa transformação
acontecer era a outra parte de mim, minha outra metade que ainda estava no alto
da mesma montanha, ainda rodeado pela mesma tempestade, agora muito mais forte,
ventos fortes rodeando a montanha como um tornado, raios cruzavam os céus com
uma força incrível que eu jamais havia visto, e logo o Rudá me falou que para
se tornar um Bárbaro como ele, os índios tinham que passar pela tempestade e chegar
ao topo da montanha, depois disso encontrariam minha outra metade.
Capitulo 11 – Paraíso Despedaçado
Ouvindo as palavras de Rudá eu decidi
então me
reencontrar comigo mesmo e subi a montanha onde minha outra metade
estava, eu
poderia ir voando, más a tempestade era forte até para mim, chegar até o
topo
era um desafio imposto por ele aos que decidissem chegar ao topo, o
vento frio
rasgava a pele e ao tentar me proteger com a armadura, os raios que cada
vez
mais caiam ao meu redor, me atingiam com violência me arremessando para
longe,
como se avisassem que eu deveria entrar desprotegido, como se quisessem
que eu
desistisse, então tentando mais uma vez sem a armadura eu percebi que
era um
desafio imposto para que só os obstinados conseguissem alcançar o topo
da
montanha, então que eu molhado e com frio seguindo por um longo caminho,
quanto
mais próximo eu estava do topo da montanha, mais difícil era enxergar,
era como
atravessar uma parede de agua vindo em minha direção, logo a tempestade
se
acalma e vejo o brilho de uma luz forte, eu havia chegado no topo da
montanha,
me deparando com o olho da tempestade, fico impressionado ao ver um
lugar lindo
e diferente de tudo o que esse mundo já viu, um pequeno pedaço de um
paraíso
perdido com um jardim florido onde eu nunca havia sonhado estar, por
mais que
houvesse uma tormenta ao redor do lugar, o centro de tudo era um lugar
calmo e
silencioso com enorme garra de cristal azul onde os recém chegados
ficavam a
sua volta recebendo seus poderes através de raios que saiam da ponta da
garra.
Ao redor do jardim em seis pontos específicos, seis Tigres Bárbaros
meditavam
ao mesmo tempo que recebiam uma grande quantidade de energia das paredes
da
tormenta que rodeava o lugar. De um lado os recém iniciados aprendiam a
controlar sua força e sua fúria, do outro os mais experientes aprendiam a
lutar
como os bárbaros antigos. A medida que eu me aproximava do centro ficava
mais
nítido pra mim que havia alguém dentro da garra de cristal, quanto mais
eu me
aproximava mais escura ficava a minha visão, ate que só o cristal a
minha
frente era visível. Tudo ao meu redor havia desaparecido, como se eu
estivesse
em outro lugar, de repente eu não sentia mais o chão sob meus pés, eu
estava
flutuando em direção aquela garra. Aos poucos na base da garra ia se
formando
uma enorme mão, seguida por um braço ainda maior e logo se revela a
imensa estátua de uma enorme fera de cristal, acima da ponta da garra um
enorme feixe
de energia vindo de uma estrela gigante. Aos poucos o chão começa a se
formar
ao redor da garra e da energia ao meu redor vários bárbaros começam a
surgir e
se ajoelhar, em pouco tempo eles eram milhares, um imenso exército de
guerreiros ferozes ao meu redor. A garra então começa a oscilar em picos
de
energia e de dentro dela eu vejo surgir um enorme tigre bárbaro que logo
volta
a sua forma humana, revelando ser minha outra metade. Lentamente
caminhando até
mim, ele me revela que a única forma de um ser crescer e evoluir é
deixando o
passado para trás e ele era a representação viva disso, pois ele foi um
presente dado a mim, ele era o meu sofrimento removido de mim, eu nunca
fui
privado de sentir, só precisava redescobrir meus sentimentos novamente,
meus
medos, inseguranças e as dores do meu passado agora eram dele, eu seria
livre
pra ter uma vida nova. Contudo éramos irmãos, um ser dividido que um dia
retornaríamos a ser um so novamente, más até lá, eu deveria proteger a
Princesa
Tayla, deveria proteger o meu mundo, meus cavaleiros deveriam formar
seus
exércitos, e eu deveria ser um farol para livrar meu mundo de quem
estava por
vir.
Logo uma imensa nuvem de fumaça negra começa a
escurecer tudo ao meu redor, os guerreiros são sugados junto com o chão sob
seus pés, a estátua gigante começa a se despedaçar e ser sugada até que so
restaram minhas duas metades flutuando frente a frente em meio a fumaça, ele
completou dizendo que no inicio de tudo seres de grande poder existiam, com
poderes imensos e todos viviam em harmonia seres tão grandes que nos comparados
a eles somos insignificantemente pequenos, más para tudo o que há de bom existe
algo de ruim e um ser ameaçou destruir tudo uma criatura feita da mais pura
escuridão, movida por uma fome insaciável devorava a todos enquanto absorvia
suas energias e se tornava muito maior e muito mais forte, ao perceber o perigo
que essa criatura representava um ser de imenso poder reuniu dentro de se a
energia não só dele, más de vários outros dispostos a ir contra a criatura das
trevas, a batalha foi decidida em um único golpe. A destruição daquele golpe
foi tamanha que mesmo nos dias de hoje ela ainda se alastra destruindo tudo em
seu caminho. Nos humanos acabamos por conhece-la por Big Bang, sim o nosso
universo teve origem após a briga entre dois seres colossais de imenso poder.
Os sobreviventes da explosão se refugiaram em imensas bolas de energia, pois
com seu mundo destruído eles precisariam de energia para sobreviver, por muito tempo eles viveram e hibernaram sem propósito, alguns ainda fazem isso, outros poucos decidiram espalhar suas
sementes em pedaços de rochas que circulavam seus casulos, e assim nasceram
pequeninas criaturas, a fonte de suas alegrias, um novo propósito em suas
vidas, más também sem ninguém perceber com o passar dos séculos um alguém
também mostrou que não tinha morrido, em uma rocha que vagava sem rumo no
espaço estava o que sobrou dela, a mãe de toda a escuridão, sem poderes e
aprisionada em um pedaço de rocha, condenada a vagar no espaço sozinha pela
eternidade. Até que alguém a libertou, agora ela busca uma forma de reaver todo
o seu poder. Algo que conhecemos bem e está presente em todo o universo, a
matéria escura que conhecemos nada mais é do que o que sobrou do corpo da
criatura e quanto mais ela vagar a procura da princesa, mais forte ela ficará
por absorver a matéria escura em seu caminho, isso ate chegar ao ponto em que
não tenhamos mais como fugir ou revidar. Minha armadura pode ter o poder de uma
estrela super massiva, más se a criatura reaver seu poder, nem mesmo um exército
de seres iguais a mim seriam capazes de vencê-la novamente.
Dito isso tudo desaparece e eu me encontro
novamente frente a tempestade no pé da montanha, tudo aconteceu em minha mente,
uma ilusão e eu nunca havia entrado na tempestade, minha outra parte havia se
tornado tão poderosa que eu realmente achei que tinha subido aquela montanha
quando nem havia entrado na tempestade que a rodeia.
Logo o Rudá coloca sua mão em meu ombro e me diz
para me acostumar pois ninguém havia visto minha outra metade desde o dia em
que ele subiu a montanha, a partir daquele ponto todos passam por um teste para
saber quem é merecedor de receber o seu poder, o poder de se tornar um bárbaro
e poder defender seu povo. Além disso se você entra fisicamente na tormenta, um
fenômeno acontece, o tempo lá dentro passa diferente, o que pra quem entra pode
ser uma eternidade, pra quem está aqui fora são apenas alguns minutos. Então
ele sabia que eu havia descoberto tudo o que eu precisava saber. Até onde eu
deveria saber.
Capitulo 12 – Dor no Peito
Retornando para a aldeia ainda tentando entender
tudo que minha outra metade havia me contado, sem acreditar que meus
sentimentos haviam sido limpos para dar lugar a algo novo, eu achava que estava
sendo preparado de alguma forma para me tornar um guerreiro, um soldado sem
emoções, não imaginava que aquilo fosse um presente, eu não tinha tentado ver
como uma segunda chance para mim e logo ao chegar na aldeia, aquele doce
sorriso que faz meu coração disparar e ao vê-la correndo para os meus braços eu
me senti livre, como se eu estivesse voando por sobre as nuvens sem sair do
chão, o toque do seu abraço para mim era mágico e aquecia minha alma de uma
forma que não consigo explicar, a cada novo abraço aumentava a vontade de nunca
mais deixa-la sair dos meus braços, seu cheiro, seu toque me faziam voar em
pensamento, sonhar acordado com o que pode existir entre nós dois e a cada
momento ao seu lado é como ouvir aquela música que acalma e faz esquecer de
tudo ao meu redor, pois em um breve momento pra mim só existe ela. Foi então
que aconteceu, um toque suave que quebrou meu pensamento, em um movimento
gentil e carinhoso sua boca encontra a minha e ela me surpreende com um beijo,
meu coração parou naquele momento, eu estava sem ar e em choque por um momento,
eu não esperava por aquilo e ao mesmo tempo vários sentimentos nascendo dentro
de mim, era como se eu não mais me controlasse e naquele momento eu cai de
joelhos em sua frente, ela me abraçava enquanto toda a tribo presenciava o mais
forte entre eles cair perante a mais bela, nos dois sabíamos que depois daquele
beijo nada mais seria como antes. Aquela noite tudo estava diferente, seu toque
logo fazia meu corpo tremer, eu tinha medo de machuca-la e ao mesmo tempo
queria que o tempo parasse, só pra apreciar cada segundo com ela. Por algumas
horas eu fui o homem mais feliz desse mundo. Tudo estava perfeito, eu tinha me
apaixonado novamente, minha vida finalmente tinha sentido pra mim, eu
finalmente estava vivendo o que a minha vida inteira eu somente havia sonhado,
enquanto ela dormia em meus braços uma sensação estranha começou a tomar conta
do meu peito, meu coração batia apertado, e logo até minha respiração pesou, a
falta de ar me fez levantar bruscamente, minha temperatura começa a elevar e
pela primeira vez eu vejo meu corpo ascender, como se eu estivesse queimando de
dentro pra fora, ela acorda com o brilho intenso que vinha de dentro de mim e
com um sorriso meigo ela me pede para usar a armadura, que ao aparecer em meu corpo
se ascende de uma forma diferente do normal, ela então me conta que os poderes
de um guardião são ligados as suas emoções, e de alguma forma a separação de
minha alma liberou alguns poderes adormecidos, não da armadura, más meus. A
sensação estranha ainda me incomodava e logo, logo eu sinto que Robson estava
com problemas, nos olhos dela eu podia ver que ela também sentia a mesma coisa.
Então me afasto dela e decido voltar até Robson para ver se está tudo bem e
percebo que ela também havia aberto suas asas, e com o mais lindo olhar me
pediu para deixa-la ir comigo, eu não sabia o que me aguardava nessa viagem,
más como dizer não pra ela, então deixamos a aldeia e juntos fomos em direção a
cidade, era linda a forma majestosa como ela pairava sobre as nuvens, eu não
conseguia parar de admira-la.
Algumas horas depois chegamos no local onde estavam Robson e
seus companheiros, eu logo notei um clima tenso, inquieto, todos estavam tensos
e bravos e eu só conseguia pensar que algo de muito ruim tinha acontecido, talvez
tenha sido uma ideia ruim ter deixado que Tayla viesse comigo. Quando me
aproximei de Robson só consegui enxergar o ódio em seu olhar, uma fúria tão
intensa que precisou que um de seus companheiros me contasse que mesmo preso o
Edgar conseguiu sequestrar a filha dele. Ninguém sabia onde estavam escondendo
a garota ou como o Edgar orquestrou seu sequestro ainda estando preso. O que
eles sabiam eram as exigências do Edgar. Ele sabia que era impossível conseguir
tira-lo da cadeia por meios legais, ele também sabia que logo seria
transferido, então se Robson quisesse ver sua filha novamente, deveria
liberta-lo enquanto ele fosse transferido, e deveria protege-lo até que ele
saísse do país.
O que ninguém precisou me explicar era o motivo do ódio nos
olhos de Robson, Edgar fez diversas exigências, más em momento algum garantiu a
segurança de sua filha, em momento algum deu uma prova de que a garota estava
bem, Robson estava instável, não sabia o que fazer ou o que esperar, ele estava
perdido em meio a tantos sentimentos ruins, se segurando pra não perder a
cabeça, pois precisava estar sob controle para pensar com clareza.
Com tantos problemas eu nem sabia como apresenta-los a Tayla
que ficou sem reação em meio a tudo. Para ela era um ambiente completamente
diferente do que ela havia conhecido, ela estava impressionada com a cidade
grande, prédios, carros, pessoas... tudo era novo pra ela, em seu mundo não
existia nada parecido e em meu mundo o que ela conheceu se resumia a uma tribo
em meio a uma floresta. Quando os ânimos de todos se acalmaram um pouco me
questionaram sobre quem seria a jovem me acompanhando. Expliquei a todos sobre
ela, seu mundo, seu sacrifício, sua jornada e o mais importante, o motivo pelo
qual ela deveria ser protegida a qualquer custo, sua magia foi usada para selar
duas estrelas em uma pequena esfera, se algo acontecer com ela sua magia se
acaba libertando as duas estrelas que no mesmo instante voltariam aos seus
tamanhos originais, destruindo tudo o que conhecemos no processo.
Todos ficaram perplexos, mas ao mesmo tempo concordaram.
Perto do fim daquele dia o telefone de Robson tocou, a voz de sua filha o fez
chorar e logo deixou todos apreensivos, afinal ela estava bem, más ainda estava
em grande perigo, logo a ligação cai e antes que possamos entender o telefone
toca mais uma vez, agora um homem falando, que isso havia sido a prova de que
sua filha estava viva, que ele deveria cumprir com o acordo, libertar Edgar e
levar ele para outro país, ou sua filha pagaria o preço, eles sabiam que Robson
era próximo daquele que chamavam de Anjo Negro então o trato era simples, eu
deveria retirar Edgar da prisão e levar ele em segurança até um ponto
especifico no deserto do Chile, depois disso eu deveria retornar até Robson e
só assim soltariam sua filha.
Eu podia ver o desespero nos olhos de Robson, podia sentir a
sua dor esmagando meu peito como se alguma coisa nos conectasse. Eu então
atravesso a sala e o abraço. Ele reluta, esbraveja e tenta se soltar, más ao
mesmo tempo ele desaba, chora e cai de joelhos. Eu mais do que todos ali
entendia o que ele sentia, além de também sentir sua dor, eu havia presenciado
a morte de sua esposa e eu sabia de sua promessa de proteger sua filha a
qualquer custo, então me levantei e antes que alguém pudesse me dizer algo fui
em direção a Tayla e lhe dei um beijo em sua testa, pedi para que me esperasse
ali e que eu logo estaria de volta, ela me abraçou e pediu para que eu não
demorasse tanto quanto na ultima vez em que sai. Olhando em seus lindos olhos
eu então lhe disse para olhar para o sol quando ele estivesse se pondo e ela me
veria chegando.
Saindo dali voei ate a prisão onde Edgar estava, por sorte
ele estava acabando de sair para o pátio, antes mesmos que os guardas
entendessem o que havia acontecido eu o agarrei e voltei aos céus com ele,
enquanto ele gritava assustado com aquilo tudo eu voava o mais rápido para onde
fui instruído, a viagem foi demorada pois como Edgar não tinha equipamentos de
proteção, se eu fosse muito rápido ele se despedaçaria no caminho. Ao chegar no
local encontrei um carro preto com alguns homens armados me esperando, eu
deixei o Edgar que logo caiu no chão, passando mal por causa da viagem, levaram
ele para o carro e antes que o último homem entrasse no carro ele me disse que
a garota seria solta assim que confirmassem que eu estaria de volta ao local de
partida. Eles então vão embora e eu tomo meu caminho de volta agora podendo
voar muito mais rápido, eu brigo com a noite para que eu pudesse chegar junto
com o pôr do sol e cumprir o que havia prometido a Tayla. Enquanto ela admirava
o sol se pôr, logo fica visível uma pequena luz verde no horizonte e a medida
que eu me aproximava meu brilho ficava ainda mais intenso de forma que a noite
inteira se iluminou com uma linda cor verde azulada que logo se apagou com
minha chegada junto a eles, recebendo um caloroso abraço de Tayla eu me volto
para Robson esperando por notícias de sua filha.
Seu telefone tocou deixando todos apreensivos, agora era a
voz de Edgar dizendo a Robson que estava bem, sua viagem foi um tanto difícil,
ele se sentiu mal, desmaiou algumas vezes, más agora estava bem, ele estava olhando
para a jovem Isabela e Robson não precisava se preocupar pois ela seria bem
cuidada, a partir de hoje ela seria tomada como sua mulher, com o tempo ela
iria se acostumar se esquecer de tudo e aprender a ama-lo como seu marido, ela
era o preço que Robson pagaria por ter tirado a vida de seu filho. Robson podia
ouvir os gritos de sua filha se abafando ao fundo e ao mesmo tempo que ele a
ouvia gritar e chamar seu nome, Edgar completava dizendo que o namorado da
garota não tinha mais utilidade, dito isso ele pediu uma arma a um de seus
capangas e atirou no garoto fazendo com que Isabela começasse a chorar ainda
mais. Após isso o telefone desliga e Robson começa a gritar desesperadamente,
seus amigos tentavam segura-lo e acalma-lo, más era tudo em vão.
Capitulo 13 – Almas Gêmeas
Em meio ao desespero de todos, um brilho intenso toma conta
da sala, uma forte luz branca vindo das mãos de Tayla que olhava sem reação
para um cristal que flutuava em suas mãos, seu brilho intenso quase cegando
todos no recinto, o cristal logo começa a flutuar e com um forte estrondo ele
sai em alta velocidade deixando um rastro de luz no céu, eu logo saio atrás
dele o mais rápido que eu podia para não perder seu rastro, o cristal desceu em
uma cidadezinha longe do deserto onde eu havia deixado Edgar. Se dividindo em
três e sem esperar os três fragmentos do cristal atingem em cheio o jovem caído
no chão, o cachorro que estava ao seu lado e a terceira parte perfurou o
telhado da casa, logo uma forma feminina em forma de luz sai pela porta o corpo
do jovem também se ascende e logo depois o cachorro, os três se unem em uma luz
intensa que segue na direção de onde eu vim. Por minha vez, movido pela a força
do ódio desci até o local causando um forte tremor com o impacto, segurei Edgar
pelo pescoço e ao olhar ao redor percebo alguns outros políticos importantes
fugindo, homens tão importantes quanto Edgar havia sido. Eu então olho
atentamente para cada um deles e lhes digo em alto e bom som que seus rostos
estão gravados em minha mente e pedi também para que agradecessem a Edgar, pois
graças a ele todos os presentes estavam em minha lista negra e a partir deste
momento eles teriam duas chances, ir à polícia e contar tudo de ruim que já haviam
feito, se entregarem e pagarem por seus crimes, ou eu caçar cada um deles e
destruir tudo o que tinham tomado, não importaria onde se escondessem eu seria
implacável com cada um deles e não adiantaria tentarem me parar pois nada nesse
mundo tinha tal poder para isso.
Antes que eu retornasse ao grupamento de Robson a luz
brilhante que havia saído da casa de Edgar estava chegando lá, deixando todos
sem fala ela se aproxima e entra dentro da casa, enquanto seu brilho se
intensifica seu tamanho também aumenta significativamente, logo ela diminui
rapidamente ate sumir nas mãos de Isabela, que logo recebe um abraço caloroso
de Tayla, as duas caem de joelhos enquanto choram de emoção por se
reencontrarem. Robson por sua vez explica para seus amigos o que estava
acontecendo, pois ele também havia passado por isso. Os criadores da armadura
vincularam suas almas a cinco cristais e quando seu mundo foi destruído suas
almas continuaram vivas dentro desses cristais com a missão de encontrar seus
substitutos para me ajudar a cumprir meu propósito. O Rei Krisyan no corpo de Heitor então se aproxima deles e
lhes diz que sim, que tudo o que Robson havia dito era verdade, más também essa
escolha é algo como a ligação entre duas almas eles precisam achar alguém que
seja exatamente como eles ou que tenha potencial para ser alguém melhor, pois
eles também vão ter a capacidade de dar a outros habilidades como as suas e vão
precisar ser sábios em suas escolhas, vão precisar saber em quem confiar pois
não somente suas vidas estarão em grande perigo mas também a vida de seu Lorde,
pois sem os cinco cavaleiros para despertar o poder da armadura, o lorde não
terá chance contra o ser que virá em busca de meu poder. Ele não conhecia os
humanos, más ele por muito tempo foi um bom rei, ele sabia como as pessoas eram
e sabia que muitos aproveitam oportunidades para se beneficiar da desgraça
alheia então ele os advertiu, dizendo que sabia como seria difícil para eles,
pois soldados tem que obedecer ordens cegamente, mas as vezes é necessário
dizer não aos seus superiores, chegaria o ponto em que eles iriam querer mais e
mais soldados como vocês, iriam querer seus equipamentos, tudo o que vocês tem,
más como visto nas memórias de Heitor, nosso sistema é falho, corrupção e
ganancia é tudo o que conhecemos, não demoraria para que os mesmos avanços que
entregamos se voltarem contra nós. Nós temos a chave para a sobrevivência de
nosso mundo, a decisão de como usa-la deve partir de nós mesmos.
Enquanto eles conversavam eu saia da casa de Edgar e o
levava de volta a prisão, enquanto eu o entregava, aproveitei para me desculpar
com os guardas e explicar a situação do sequestro da filha de Robson e as
exigências de Edgar, eles entenderam e disseram que judicialmente o que eu fiz
teria consequências e que eles não poderiam me ajudar com isso, eu lhes
respondi que não me preocupava com isso, pois as únicas opiniões que me
importavam estavam ali, diante de mim.
Retornando para o lugar onde estavam Robson e seus amigos me
deparo com uma visão estranha, Isabela com uma roupa semelhante a de Tayla e
seu namorado usando uma espécie de armadura, semelhante as armaduras medievais
do meu mundo, más tinham detalhes muito diferentes, Heitor se aproxima de mim e
eu posso sentir que naquele momento não seria o jovem Heitor a falar comigo,
ele põe sua mão sobre meu ombro, se ajoelha e logo me diz que durante os longos
anos que viveu como rei, nunca havia se ajoelhado a ninguém, más agora vendo
quem eu era para sua filha, ele sentia que era a melhor forma de demonstrar sua
gratidão a mim, O Jovem Heitor era digno o bastante para ser seu sucessor,
agora que seu cristal foi acordado, ele e sua esposa poderiam então se despedir
de sua filha e descansar em paz sabendo que ela estaria em segurança. Dito isso
a Rainha no corpo da jovem Isabela se levanta e vem até mim, ela olha em meus
olhos, me abraça e me faz um único pedido, Cuidar bem de sua filha, pois ela é,
e sempre será seu mais precioso tesouro.
Os dois jovens voltam a se e Isabela corre para abraçar seu
pai, Tayla por sua vez corre ate mim chorando, diferente do que eu pudesse
pensar, seu choro era de felicidade, ela havia ganhado uma chance de conversar
com seus pais e de se despedir. Robson estava feliz por sua filha estar de
volta e tudo estava bem afinal. Aquela noite todos foram pra casa felizes,
Tayla e eu ficamos com Robson por mais alguns dias, ela queria ver mais desse
mundo e eu queria passar mais tempo com ela.
Tayla e Isabela criaram uma relação quase como irmãs, as
duas eram quase inseparáveis, acho que grande parte disso se devia ao fato dos
poderes de sua mãe estarem com Isabela agora, era lindo ver as duas correndo
pela cidade e eu não poderia estar mais feliz.
Capitulo 14 –
Julgamento
Um dos homens de Robson veio até mim com um assunto urgente,
após me ver sem armadura ele me reconheceu, havia um mandado de prisão contra
mim, no papel dizia que eu em um ato brutalmente covarde agredi fisicamente uma
mulher indefesa, seu marido havia me encontrado sobre o corpo da vítima
enquanto eu ainda batia em seu rosto com violência, ele e eu brigamos más eu
consegui fugir. Eu já estava sendo caçado a um tempo, haviam mandados de prisão
pra mim em muitos lugares, más eu não deveria mais sair com meu rosto a mostra,
ser reconhecido seria questão de tempo e sim eu poderia facilmente ser
inocentado de todas as acusações se eu revelasse minha identidade para o mundo,
pois eu estava o mundo havia me visto num aeroporto ajudando a aterrissar um
avião na mesma noite do ocorrido. Eu perguntei sobre o estado da vítima e ele
me revelou que o estado dela foi grave, ela passou um tempo em coma no hospital,
más numa pesquisa rápida ele soube que ela havia acordado desse coma a menos de
uma semana, seu marido me culpava por tudo e pedia por justiça. Naquele momento
eu não estava entendendo nada, porque eu seria acusado de tal ato covarde sendo
que eu estava desaparecido a quase um ano. As coisas começaram a fazer sentido
a partir do ponto em que ele me revela o nome da mulher que havia sido agredida,
Kelly, tudo começou a fazer sentido e isso de certa forma estava ficando
interessante, de alguma forma seu marido não sabendo quem eu havia me tornado,
orquestrou esse teatro para se livrar de um crime que ele mesmo havia cometido.
Eu então resolvi entrar em seu jogo e me divertir um pouco, afinal, quem não
gostaria de confrontar um mentiroso em público e eu estava curioso para saber
qual mentira ele inventaria ao descobrir quem eu havia me tornado.
Reuni todos do grupamento de Robson e contei o que havia
chegado em meus ouvidos, pedi para que eles me prendessem e me levassem para o
julgamento, queria ver a reação dele pra desenrolar a própria mentira, eles não
relutaram e logo aceitaram participar da brincadeira e eu sai daquele lugar com
algemas em meus pulsos, colocado numa viatura feito um criminoso e levado para
uma delegacia, fazendo tudo parecer o mais real possível o pessoal de Robson me
ameaçava e me tratava de forma a fazer todos acreditarem em nosso teatrinho. Passei
alguns dias trancado numa cela aguardando meu julgamento, os detentos podem ser
cruéis com você dependendo do crime que você cometeu, más pra eles era
impossível me machucar, por outro lado, eu passava os dias me segurando para
não matar cada um deles, os guardas da prisão não tinham pena de mim, revelaram
que eu havia mandado uma mulher em coma pro hospital e os detentos não poupavam
esforços queriam fazer da minha vida um inferno, com o julgamento próximo os
guardas não queriam que eu fosse ferido ou machucado de alguma forma então
fiquei sozinho numa cela pra deixar todos ainda com mais ódio de mim, eu estava
cercado de pessoas que queriam me matar.
Enfim o dia do julgamento havia chegado, ao ser retirado da
cela fui tratado com hostilidade por todos, na porta da delegacia as pessoas
faziam protestos e filmavam tudo com seus celulares, alguns arremessavam coisas
em mim enquanto eu andava calma e pacificamente até a viatura, ao longo do
caminho era nítida a revolta da população, por um instante eu havia me tornado
a pessoa mais odiada do país, acho que até mesmo o Edgar conseguiria um perdão
mais fácil que eu, ao chegarmos no destino, saindo da viatura eu vejo a
população gritando várias ofensas, bandido, covarde, assassino... era nítido o
ódio nos olhos de todos e mais uma vez jogavam coisas em mim. Enquanto eu
andava em direção a entrada os olhares de desaprovação me condenavam, todos
queriam me ver morto, más um olhar em especifico me fez sorrir, Tayla me
esperava na porta, antes que eu chegasse perto, um dos amigos de Robson a levou
para dentro, para sua própria segurança. Logo eu estava na sala, sentando em
minha cadeira esperando a hora de ser julgado. Do outro lado da sala Kelly era
amparada por seu marido, sua família que antes me recebia de braços abertos,
agora me olha com desprezo e para a surpresa de todos os assentos vazios atrás
de mim logo foram preenchidos por Tayla, Isabela, Robson e seus amigos, os
mesmos policiais que haviam me prendido, agora sentados junto a mim, um
defensor público veio me ajudar já que eu não havia chamado um advogado, e não
escondeu de mim sua desaprovação pelos meus atos. O julgamento se arrastou por
algumas horas, não haviam provas contra mim, não haviam fotos, filmagens das
câmeras do prédio, nada que provasse que eu havia estado no local, mas tinham
oito testemunhas que afirmavam que haviam me visto, que eu havia falado com
eles e que eu havia feito aquilo. Todas próximas do marido da vítima, eu não
escondia de ninguém que eu estava me divertindo com aquilo, tudo indicava que
eu seria condenado, exceto a carta em minha manga, um último recurso que eu
estava doido para usar, logo questionei a juíza então revela que estava achando
isso estranho também, em nenhum momento eu fui chamado para dar meu depoimento,
meu advogado se desculpou e tentou prosseguir com uma desculpa esfarrapada de
que ainda estava avaliando meu lado da história, nesse momento tudo fez
sentido, ele não havia me defendido porque ele não queria me ajudar, ele nem
tinha me perguntado nada sobre minha versão da história, eu o interrompi
dizendo que não precisava mais dele, me levantei e educadamente me dirigi ao
centro do salão, a juíza tentou me dizer os problemas que eu poderia enfrentar
por me defender sem um advogado, eu disse a ela que eu era inocente e podia
provar em um único segundo, eu só precisava que ela e todos calassem a porra da
boca e escutassem uma pequena história que eu lhes contaria.
Contei-lhes sobre o início de tudo, o cara apaixonado que eu
era, a noite em que decidi sumir da vida de todos, a noite em que bebi demais
ao ponto de me jogar de uma ponte querendo acabar com minha vida, contei sobre
o raio me puxando, sobre acordar na floresta assustado ao lado de uma linda
jovem, a tribo e a guerra contra os madeireiros, meu encontro com Robson
naquela ponte, sobre outros mundos e sobre uma guerra que eu havia sido
escolhido para lutar. Enquanto escutava risos de todos no recinto, ao meu lado
direito eu percebia todos aguardando o final do desfecho, então a juíza decide
me cortar e bater o martelo para todos se acalmarem, desobedecendo suas ordens
eu continuo contando minha história, então ela manda os policiais me prenderem
por desacato, dois policiais seguram em meus braços e ao tentar me arrastar pra
fora se surpreendem ao não conseguirem me mover do lugar, eu friamente olho nos
olhos da juíza e digo, que mesmo depois de ouvir tudo o que eu contei ela ainda
acha que tem algum poder de ditar o que pode acontecer comigo. Antes que ela apresentasse
alguma reação, meus olhos mudam de cor, ficando numa cor verde esmeralda e
emitindo um brilho intenso, minha pele escurece ficando negra como a noite, meu
corpo se cobre em chamas verdes e a partir delas surge uma armadura com um
brilho verde intenso, a mesma do anjo negro que todos viam como herói, a prova
que me colocava em um aeroporto ajudando a pousar um avião com falha na turbina
no mesmo momento em que a vítima foi espancada, me eliminando assim como
suspeito, más colocando outra pessoa no banco dos réus.
Então olhando para a o marido da vítima eu lhe digo em alto
e bom som para que todos pudessem me escutar, eu lhe pergunto se ele se
lembrava do que eu havia dito a ele aquela noite, que se ele levantasse a mão
para bater nela mais uma vez, eu o mataria e o enterraria na lua, ele assustado
fica sem respostas e enquanto ela se mostra assustada ao olhar para ele, devido
aos fortes golpes em sua cabeça, ela havia perdido parte de sua memória e não
se lembrava do dia do ocorrido, todos os que antes riam da minha historia agora
assustados com minha nova forma, tinham medo por saberem o quão poderoso eu
era, por outro lado Robson e seus amigos não me interrompiam, por saberem quem
eu era e que eu não perderia o controle, enquanto eu andava na direção dele
alguém se adentrava pela porta do salão com passos firmes e decididos, um
uniforme militar e uma carta na mão, a juíza então pergunta o que o homem fazia
ali e ele lhe responde que não estava ali para participar daquele circo,
estávamos com problemas maiores do que podíamos imaginar, o homem então se
dirige a mim me entregando o envelope e dizendo que eu deveria ir para o lugar
designado na carta, ao abrir o envelope vejo algumas fotos tiradas do espaço
mostrando um objeto escuro, o objeto em se não era visível pelas câmeras, más
sua sombra foi captada cobrindo parte de Júpiter, o objeto parecia ser uma
enorme nave encoberta por uma quantidade imensa de fumaça negra, talvez uma
forma de tentar me encontrar. Eu deixo tudo aquele circo de lado e enquanto me
dirijo a porta de saída entrego o envelope a Robson e peço para que cuide de
Tayla enquanto eu averiguaria o que estava acontecendo.
Ao sair do tribunal as pessoas que antes gritavam ofensas
agora ficam caladas ao verem o anjo negro sair pela porta da frente do
tribunal, eu olho a minha volta vendo todos calados, tomo impulso e logo estou
indo para o local marcado no envelope, uma base militar do exército, eles
haviam recebido as imagens de um jovem astrônomo que notou uma enorme sombra
sobre Júpiter, como eu era o único com possíveis recursos para investigar isso,
decidiram pedir a minha ajuda. Más antes que eu pudesse dar qualquer resposta
um forte estrondo assusta a todos, ao olharmos para o céu todos ficamos pasmos
ao ver que algo havia entrado na atmosfera do planeta.
Capitulo 15 – Escuridão
Algo estranho havia entrado na atmosfera, um objeto estranho
e sem forma deixando um rastro de fumaça preta, fui atrás daquela coisa na
intenção de ver e entender o que era aquilo e a coisa me surpreende numa
manobra inesperada o que pensei ser algo como uma pedra se mostrou uma criatura
com inteligência virando e voltando para me atacar, em meio a toda fumaça eu so
consegui ver uma mão me desferir um golpe que me fez ir violentamente ao chão.
Eu não esperava por isso, por um breve momento eu fiquei no chão tentando
entender o que tinha acontecido e foi então que ao abrir os olhos eu pude ver,
uma mulher parada sobre meu corpo com um pé sobre meu peito e diferente de tudo
que eu havia imaginado que poderia estar dentro daquela fumaça, o corpo que eu
podia ver através da fumaça era o de uma linda mulher, seu corpo sem roupas,
encoberto pela fumaça negra que emanava de se mesma. Ela lentamente começa a se
curvar sobre mim e se aproximando do meu rosto tenta me beijar, por um segundo
eu fecho meus olhos e vejo Tayla em meus pensamentos e eu não poderia deixar
esse beijo acontecer, num forte impulso da armadura eu me jogo para longe da
criatura e enquanto a vejo caminhar em minha direção, percebo que as pessoas ao
nosso redor estavam sufocando com a fumaça da criatura, as pessoas afetadas
logo começam a se debater violentamente no chão, enquanto eu sem saber o que
fazer olho a criatura se aproximar de mim percebo a pele das pessoas afetadas mudar
e logo seus corpos começam a emanar a mesma fumaça negra da criatura, ao ver
medo em meus olhos a criatura começa a sorrir enquanto sensualmente caminha em
minha direção, por estar agora a favor do vento mais do seu corpo ficava a
mostra fazendo minha mente entrar em conflito, era como se ela estivesse
entrando em minha cabeça de alguma forma, minha visão ficava mais embaçada a
medida que ela se aproximava, era como se ela conseguisse me dominar aos
poucos, as memórias de Tayla em minha cabeça aos poucos iam mudando e em seu
lugar eu agora só conseguia ver essa maldita criatura, como isso era possível,
aos poucos eu escutava sua voz em minha mente sussurrando para me render a ela,
me render ao desejo e a luxuria, era tudo o que eu queria e ela sabia disso,
ela sentia o desejo emanando de dentro de
mim ela sentia minha vontade de possui-la, eu não poderia esconder isso dela,
eu não poderia esconder nada dela. Nesse momento eu caio de joelhos enquanto
tento voltar de volta a minha sanidade, a criatura para frente a mim e se
ajoelha em minha frente, por um instante eu consigo ver atrás de seu rosto dois
olhos roxos em meio a fumaça e aos poucos eu entendia, aquela não era sua
verdadeira forma, era algo para mexer com minha mente, um truque para me deixar
sem reação. Antes que eu me desse conta a criatura estava segurando meu rosto e
se aproximando para tentar me beijar mais uma vez enquanto suas mãos em contato
com meu rosto sugava o poder da armadura, eu me sentia mais e mais fraco a cada
segundo que passava e então aconteceu, uma explosão que jogou nos dois pra
longe em lados opostos.
Ao abrir meus olhos vejo os homens de Robson me puxando
pelos braços enquanto atiravam na criatura, eu tento me levantar, más a
criatura havia drenado muito do meu poder, e eu ainda estava sob sua
influência, eu não conseguia me mover direito, não conseguia ficar de pé, a
criatura percebendo que as armas de Robson podiam feri-la começa a absorver os
carros a sua volta, os corpos daqueles que ela havia corrompido e os objetos que
estavam por perto, ficando maior no processo. A criatura avança em nossa
direção se preparando para atacar quando uma bola de luz a atinge em cheio a
mandando para longe, e meu espírito se parte ao ver Tayla cair em minha frente,
para me proteger ela havia desferido um ataque poderoso a criatura, más como
seu poder estava mantendo as estrelas presas na esfera, eu percebo algo que me
fez entrar num frenesi de fúria insana. Naquele momento de lucidez ao ver Tayla
no chão, eu percebi que todos ficariam em perigo se eu caísse novamente, Tayla
ignoraria todo o perigo tentando me proteger então me levantei, pedi para que a
protegessem e sem pensar nos meus atos eu ataco a criatura com toda a força que
ainda me restava, corri até ela dando-lhe os mais fortes socos que eu
conseguia, optei por usar toda minha força de uma vez. O estrago foi grande,
ela voou longe más logo ela conseguia se recompôs logo em seguida, ao sentir
que seu poder não seria o suficiente para me vencer a criatura optava por
absorver mais matéria então ela corria em meio a cidade buscando absorver pessoas,
carros e tudo mais em seu caminho. Por mais que ela tentasse sua velocidade não
se comparava a minha, então eu consegui joga-la para fora da cidade onde ela
continuou a absorver arvores e plantas afim de ficar mais forte, logo o
grupamento de Robson apareceu para me ajudar, más vendo que suas armas não
tinham efeito sobre a criatura eles logo foram ajudar a retirar a população de
perto do lugar. Logo a criatura consegue força suficiente pra me peitar de igual
pra igual, a medida que brigávamos ela continuava a absorver minha força aos
poucos, a cada vez que eu batia na criatura eu me sentia mais fraco enquanto
ela ficava ainda mais forte, eu não tinha muita escolha tudo que eu usava
contra aquela criatura a deixava mais forte, cada golpe contra ela era como dar
comida para um animal faminto que tentava arrancar meus braços em busca de
mais.
A minha volta pessoas machucadas buscavam abrigo como
podiam, gritavam por ajuda logo Isabella tentava protege-los como podia, Robson
e seus amigos estavam fazendo o que podiam para evacuar as pessoas o mais rápido
que podiam, más o medo das pessoas dificultava as coisas, muitos ainda estavam
escondidos em casas e prédios, com medo de saírem acabavam se ferindo quando a
criatura usava seus poderes contra mim. Tayla então aproveitando um momento
perfeito em que eu e a criatura nos afastamos da cidade ela decide mais uma vez
usar seu poder para curar a todos que estavam ao seu alcance. A criatura
sentindo aquele poder de cura caindo ao redor dela fica num frenesi
incontrolável querendo ir na direção de Tayla, enquanto eu me esforçava ao
máximo para impedir, mais a essa altura a criatura já conseguia me vencer em
fora e tamanho, eu estava convencido que não havia nada que pudesse me
machucar, mas essa criatura era a prova de que eu estava enganado, suas garras
cortavam a armadura como papel, seus golpes faziam até minha alma sentir dor,
fora que quanto mais ela absorvia meus poderes, mais fraca a armadura ficava, e
em consequência, eu estava morrendo. Enquanto Tayla tentando curar a todos que
foram machucados, aos poucos sua força vital se esvaia de seu corpo, sem tempo
para se recompor ela tentava, mesmo com Isabela tentando lhe impedir, ela
estava decidida a fazer o que podia para salvar a todos.
Eu agora estava num nível de poder muito abaixo ao da
criatura que já havia absorvido grande da minha energia vital e destruído
grande parte da armadura. A criatura então me toma em suas mãos e enquanto
absorvia o restante da minha energia é surpreendida por um raio direto em sua
cabeça, que a joga para longe enquanto eu caio no chão quase sem forças, uma
segunda versão de mim logo se aproxima colocando sua mão em meu ombro e
perguntando se poderia entrar na brincadeira também, eu aceno com a cabeça
enquanto aos poucos vou tentando me levantar, ele por sua vez começa a se transformar
quase igual ao Rudá, seu corpo se transforma em uma fera bestial de pelo negro
com eletricidade percorrendo todo o seu corpo, logo o céu claro começa a ficar
escuro, as nuvens carregadas começam a concentrar seus raios em vários pontos
no céu e logo caem vários raios perto da minha outra metade, eu tento me
levantar e ao forçar um pouco meus olhos eu percebo que cada raio que caia era
um índio chegando logo haviam vários tigres bárbaros entre mim e a criatura, as
nuvens começam a reunir uma grande quantidade de energia mais uma vez, más
dessa vez, ao invés de descer mais um bárbaro, uma imensa descarga elétrica
desce dos céus atingindo os tigres, seus olhos mudam de cor, seu corpo agora
absorvendo toda aquela energia e logo todos eles juntos num único rugido devastador
liberaram toda aquela energia em direção a criatura na forma de vários ataques
extremamente rápidos, a criatura que grita de dor enquanto tenta se defender em
vão, sendo rasgada viva por não conseguir absorver tantos ataques ao mesmo tempo.
Eu ainda tentando me levantar sou amparado por Tayla e
Isabela, Tayla agora pálida e quase sem forças se esforça para tentar curar
meus ferimentos enquanto Isabela ainda tentava aprender como fazer isso. Eu
vendo seu estado tento impedi-la segurando suas mãos, mas ela grita comigo
enquanto chora desesperada dizendo que não quer me perder, eu lhe digo que ela acabaria se matando se
continuasse tentando curar a todos e principalmente a mim, ela estava fraca,
precisaria descansar e eu não queria perde-la, eu nem me importava mais com
nada, desde que ela estivesse segura, eu finalmente havia encontrado o amor da
minha vida, eu era agora o homem mais feliz do mundo e nada ira tirar essa
felicidade de mim, depois de dizer isso eu lhe dou um beijo e parto em direção
a criatura sem perceber que logo atrás de mim Tayla reunia suas ultimas forças
em uma bola de luz que ela lança em mim pelas costas, enquanto sentia minhas
forças voltando ao meu corpo e lentamente me virava, a felicidade em minha alma
se esvai ao ver o corpo de Tayla cair ao chão.
Nesse momento todos param, incluindo a criatura, a atenção
de todos fixa em mim é roubada por Heitor que corre ate as duas garotas abrindo
seu escudo para protege-las, ao perceber o que estava por vir minha outra metade
olha para os bárbaros e rapidamente correm do lugar, todos correm para o mais
longe possível que podiam enquanto meu corpo começa a entrar em combustão, a
imagem de Tayla caindo no chão, fez algo se libertar dentro de mim, olhar para seu
rosto pálido e sem expressão partia meu coração em milhares de pedaços, Isabela
a toma em seus braços gritando seu nome, me fazia sentir ódio de mim mesmo,
porque o destino precisava ser tão cruel comigo, colocar uma pessoa maravilhosa
em minha vida, me fazer sonhar em ter um futuro ao lado de alguém, me fazer
confrontar meu passado olhando para meu novo futuro só pra chegar nesse ponto e
perder tudo de novo.
Sem suportar a dor que eu sentia naquele momento eu me
afasto deles em direção a criatura, o ódio que eu sentia estava destruindo a
carne do meu corpo liberando uma nova forma, eu não me importava mais com as
consequências do que eu faria a partir de agora, se esse mundo acabaria ou não,
eu não me importava com mais ninguém, eu só queria destruir aquela criatura
infernal, o que havia de humano em mim estava se desfazendo entre as chamas de
um novo corpo feito de energia, chamas liberando um calor intenso que fazia
derreter o chão sob meus pés e pela primeira vez eu vi o medo nos olhos daquela
criatura infernal, ela tenta fugir de mim más antes que ela consiga se mover as
correntes são mais rápidas e a agarram a enrolando por inteira, não mais as
correntes de aço da armadura, essas eram outras, a alma daquelas correntes de
aço, essas eram correntes de fogo e logo eu entendi, meu poder nunca foi a
armadura, ela so servia para conter meu real poder, ela era a proteção de todos
ao meu redor contendo meu real poder para que eu não destruísse tudo ao meu
redor, ao entender isso eu abro minhas asas mais uma vez, dessa vez não eram
mais as asas de aço negro da armadura e sim asas de fogo queimando tudo ao meu
redor, a criatura não conseguia aguentar tamanha temperatura e seu corpo
começava a ser destruído, a medida que minha temperatura aumentava uma enorme poça
de lava fervente se formava logo abaixo de mim, os ventos começam a soprar
violentamente ao meu redor enquanto eu libero toda a minha fúria logo ganha a
forma de um tornado em chamas consumindo a criatura aos poucos ate que somente
seus ossos sobraram em minhas correntes, eu logo os solto no grande lago de
lava incandescente sob meus pés e ao olhar pra cima eu lembrei que havia algo a
mais, algo que havia se escondido no escuro do espaço, algo que havia mandado
essa criatura para me encontrar, eu então me lanço acima das nuvens ganhando
cada vez mais altura até chegar no espaço, e lá estava ela fugindo por trás da
lua e deixando um rastro de fumaça, eu não me importava com mais nada nesse mundo,
quem eu mais amava havia sido retirada de mim, usando toda minha força me lanço
no espaço alcançando a nave que tentava fugir e liberando todo o meu poder eu
gero uma super nova que destrói tudo ao meu redor, pra quem estava na terra,
aquele início de noite virou dia novamente com o brilho intenso de uma forte
explosão no céu, por minha vez, meu corpo estava sem energia alguma, más eu
ainda estava vivo de alguma forma, então sem me importar com mais nada a partir
de agora aquele seria meu lugar, meu túmulo, onde eu passaria o resto dos meus
dias esperando qualquer um que viesse para esse planeta, pois qualquer um que
se aproximasse iria provar da minha fúria, a fúria de um demônio sedento pelo
sangue daqueles que causaram a morte daquela que eu amei.